Empresária carioca cria grupo de tecnologia em Portugal e se reinventa aos 57 anos
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Aos 57 anos, em plena pandemia da covid-19 e longe da vida corporativa que mantivera no Brasil por décadas, a carioca Rosane Marques decidiu recomeçar. O que seria um período sabático em Portugal transformou-se no ponto de partida para a criação do Grupo iTRTech, hoje composto por quatro frentes de negócios e presença nos ecossistemas de inovação portugueses, de acordo com a empresária.Rosane, graduada em tecnologia e economia, com MBAs em administração e marketing, e que construiu carreira em vendas de tecnologia em multinacionais no Brasil, chegou a Portugal em 2020, quando viagens e planos foram interrompidos pelo confinamento.A executiva decidiu voltar ao mercado, mas, rapidamente esbarrou nos desafios enfrentados por profissionais seniores. “Quando mencionei minha idade numa entrevista, vi o semblante da recrutadora mudar. Ali percebi que teria de me reinventar”, conta.Pelo networking que já tinha, a brasileira conseguiu trabalhar remotamente para uma empresa portuguesa. Ao assumir o atendimento de um cliente local, aplicou a mesma agilidade que mantivera no Brasil — postura que chamou a atenção. “O cliente me disse: ‘Gosto desse serviço, vocês correm atrás’. E pediu mais profissionais. Eu entendi que havia ali uma oportunidade”, lembra.Ao sugerir a criação de uma área de recrutamento na empresa onde trabalhava, Rosane ouviu um não. E decidiu seguir sozinha. “Pensei: se eu sei fazer, vou abrir a minha própria empresa. Um dos pilares seria a forma humana de tratar clientes e profissionais, com transparência”, relata.
Em meados de 2021, ela fundou a iTRecruiter, especializada em recrutamento de profissionais de tecnologia. Para escalar o negócio, buscou apoio tecnológico e acabou adquirindo participação numa solução de inteligência artificial aplicada à área. “Era como se os astros estivessem se alinhando. Eu já tinha o toque humano — e encontrei a tecnologia que seria um diferencial.”Engajamento comunitárioO crescimento ganhou força com estratégias de engajamento comunitário. Rosane percebeu que, para ampliar o alcance das vagas, precisaria do apoio das comunidades digitais. Em troca, passou a oferecer ajuda na criação de currículos, perfis profissionais e participação em eventos. “A comunidade me ajudou a crescer, então, eu precisava devolver esse apoio de forma prática”, diz.Quatro anos depois, o negócio tornou-se o Grupo iTRTech Consultoria e Tecnologia LDA, estruturado em três pilares: tecnologia, humanização e comunidades. O grupo mantém quatro linhas de atuação: a iTRecruiter, focada em talentos de tecnologia; a ALLRecruiter, voltada para recrutamentos também em outras áreas; a AiVA, ecossistema de assistentes virtuais que automatiza processos em pequenas e médias empresas; além de uma divisão de quatro agentes de IA, que, no momento, segundo Rosane, está em homologação junto ao mercado SAP, que é a organização que desenvolve e licencia softwares de gestão empresarial.O grupo, que tem sede em Lisboa e não recebe investimento externo, opera com modelos flexíveis como hunting (estratégia de recrutamento em que a empresa busca ativamente os profissionais), outsourcing (contratação de parceiro externo que faz a gestão de parte ou totalidade dos processos de recrutamento) e freelancers — e trabalha sob a lógica de sucesso: só recebe pagamento se conseguir o talento certo para o cliente.EmpregosHoje, a empresa tem 17 colaboradores, sendo três brasileiros trabalhando na empresa no Brasil, dois portugueses, uma angolana e os demais, luso-brasileiros, em Portugal. A maioria dos 12 clientes é composta por empresas de consultoria ou consultoria de tecnologia.Reconhecida como startup portuguesa, a iTRTech integra a Startup Portugal, a Unicorn Factory Lisboa e participa regularmente de eventos como Web Summit Lisboa, Web Summit Rio, South Summit Madrid e Brazil Tech Days. Segundo Rosane, o intercâmbio entre os ecossistemas brasileiro e português é estratégico.“O mercado brasileiro é gigantesco, e Portugal é uma porta de entrada natural para a Europa. Esse fluxo de inovação tende a crescer muito”, afirma. E acrescenta: “Adoro o ambiente de startup e de networking. Ele fortalece a relação tecnológica entre Brasil e Portugal”.
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