Química entre Trump e Lula zera tarifaço sobre centenas de produtos brasileiros
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se rendeu à química que ele disse ter tido com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, quando se encontraram, em setembro, nos corredores da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O líder norte-americano zerou o tarifaço que havia imposto a centenas de produtos brasileiros exportados para a maior economia do planeta. No dia 14 de novembro, havia caído a tarifa recíproca de 10%. Nesta quinta-feira, 20 de novembro, Trump retirou a sobretaxa de 40%. Com isso, o Brasil, que estava na liderança dos países mais punidos pelos EUA, agora, está no time das nações menos taxadas pelo governo norte-americano.A lista dos produtos isentos do tarifaço inclui, sobretudo, produtos agrícolas, como carnes, frutas e café. Em comunicado, Trump ressaltou que o fim do tarifaço a produtos brasileiros decorre da “excelente” conversa que ele teve por telefone com Lula em 6 de outubro último. Segundo o presidente norte-americano, depois de ouvir o líder brasileiro e de conversar com a sua equipe de diplomatas, viu que havia chegado o momento de acabar com tarifaço quase quatro meses depois de ser implantado, devido ao avanço das negociações com o Brasil. Também em nota, o Itamaraty diz que recebeu com “satisfação” a decisão dos EUA.O Brasil, por sua vez, não fez nenhuma concessão aos Estados Unidos, que vêm sofrendo com a alta da inflação dos alimentos, com impacto pesado no humor dos eleitores e na popularidade do governo do republicano. O que prevaleceu foi a diplomacia. A equipe do Itamaraty mostrou aos EUA, durante as negociações que começaram depois da conversa de Trump e Lula, que não havia razões para o tarifaço, uma vez que a maior economia do mundo tem superavit comercial com o Brasil e que os produtos exportados pelo país são importantes para os consumidores norte-americanos.O fim do tarifaço sobre esses produtos é retroativo a 13 de novembro, dia em que houve uma conversa entre o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Washington. O governo brasileiro assinala que as conversas com os Estados Unidos continuarão, porque há setores importantes, como o de maquinários, que continua com a sobretaxa de 40%. No total, 20% da pauta exportadora brasileira para os EUA permanecem sobretaxadas. “Estou feliz com a decisão de Trump”, diz Lula.O governo do Brasil também espera que Trump ponha fim às punições a autoridades brasileiras que tiveram os vistos de entrada nos Estados Unidos cassados, como vários ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), e revogue a aplicação da Lei Magnitsky, que atingiu o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Para Lula e o Itamaraty, esse será o próximo alvo das interlocuções com a diplomacia norte-americana. Depois da conversa por telefone em 6 de outubro, Lula e Trump se encontraram pessoalmente na Malásia no fim daquele mês.Derrota de BolsonaroO tarifaço imposto ao Brasil havia decorrido, em parte, de um movimento encabeçado pelo deputado Eduardo Bolsonaro junto a auxiliares de Trump. Tanto que, na justificativa para punir os exportadores brasileiros, o líder norte-americano citou o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.O chefe da Casa Branca chegou a impor, como uma das condições para não sobretaxar o Brasil, o fim do inquérito contra Bolsonaro, que acabou condenado a 27 anos e três meses de prisão. A expectativa é de que, nos próximos dias, ele vá para a Papuda, prisão que fica em Brasília.O governo Lula comemorou a decisão de Trump e, agora, estuda as estratégias para recuperar os mercados que os produtos brasileiros perderam nos Estados Unidos por causa do tarifaço. Somente o setor de café calcula sua presença encolheu em 54% nos EUA desde que a sobretaxa passou a valer. Será preciso, segundo os produtores, uma ampla campanha para reconquistar os consumidores. Antes do tarifaço, o Brasil respondia por 33% de todo o café consumido na maior economia do planeta.Os Estados Unidos são o segundo parceiro comercial do Brasil, atrás somente da China. Com o tarifaço, os exportadores brasileiros trataram de colocar seus produtos em outros mercados. Tanto, que, enquanto as vendas para os EUA caíram, no cômputo geral, as exportações aumentaram, sobretudo, para Argentina, China e México.
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