CIÊNCIA

Governo com “particular atenção” a rusgas do ICE nas comunidades portuguesas nos EUA

O secretário de Estado das Comunidades, Emídio de Sousa, admitiu esta quinta-feira, 20 de Novembro, acompanhar “com particular atenção” as recentes rusgas anti-imigração ilegal em áreas com grande concentração de portugueses nos Estados Unidos, embora reconhecendo o direito de Washington de controlar o fluxo migratório naquele país.Questionado pela Lusa sobre as rusgas registadas na quarta-feira, 19, na empresa de um emigrante português na cidade norte-americana de Newark, Emídio de Sousa, que iniciou esta quinta-feira uma visita aos Estados Unidos, afirmou que “estas situações são muito preocupantes” e apelou à regularização das “situações de ilegalidade”.”O nosso Ministério e a nossa Secretaria de Estado, os nossos serviços consulares, normalmente acompanham muito de perto estas diferentes situações e vemos isto com particular atenção. Naturalmente que temos que compreender que situações de ilegalidade têm que ser corrigidas, na mesma forma no nosso país, e temos que respeitar os Estados Unidos nesta vontade de ter a situação dos imigrantes, e dos que escolhem os Estados Unidos para viver, regularizada”, defendeu.”Esperemos que estas rusgas não afectem muito os nossos emigrantes, nem as nossas empresas. Mas temos que compreender que um país soberano, como os Estados Unidos, tem direito a controlar a sua imigração”, acrescentou, em entrevista à Lusa a partir de Nova Iorque.Nova rusga a empresa de portuguêsNa quarta-feira, 19, dezenas de agentes federais norte-americnaos, incluindo do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) e do FBI, entraram na Ocean Seafood Depot, empresa que se dedica à comercialização de marisco em Newark, estado de New Jersey.A empresa, propriedade do português Luís Janota, já havia sido alvo de rusgas em Janeiro, poucos dias após a tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos, que prometeu durante a campanha eleitoral a “maior deportação em massa da história” do país.Testemunhas disseram à Lusa que os agentes entraram na empresa e foram separando os trabalhadores com estatuto regularizado dos restantes, sendo que quem estava em situação legal recebeu uma pulseira vermelha e foi autorizado a deixar o local.Os restantes terão ficado retidos no interior do estabelecimento comercial e posteriormente retirados em carrinhas com vidros escuros, segundo testemunhas que não quiseram ser identificadas, que indicaram ainda que os agentes tinham uma lista de pessoas que procuravam. Imagens captadas no local mostravam os polícias de rosto coberto e sem identificação visível, uma prática recorrente por parte dos agentes do ICE.O Governo português assegura que existem planos para apoiar os cidadãos portugueses que possam vir a ser afectados pelas detenções e deportações promovidas pela Administração Trump.Emídio de Sousa indicou que está a ser dado acompanhamento jurídico aos diferentes casos que vão surgindo, mas admitiu pouca “publicidade” aos mesmos, de forma a garantir “alguma reserva com que devem ser tratados estes assuntos”.”Sempre que nos são reportados, nós procuramos acompanhar”, acrescenta. “Todos os portugueses que nos procuram, que se registam, nós procuramos dar uma resposta, um acompanhamento consular, muitas vezes um apoio num processo de repatriamento. Sei que, principalmente nas regiões autónomas, já existem serviços especializados para esse acompanhamento. No continente não temos muitos casos reportados, mas também estaremos prontos”, garantiu.”Acima de tudo, o que eu peço é que sempre que as pessoas emigrem, que procurem fazê-lo de uma maneira legal”, sublinhou.Newark, que acolhe uma das mais significativas comunidades portuguesas nos Estados Unidos, é uma das várias “cidades santuário” do país, onde existem leis estaduais que protegem os imigrantes que não têm a sua situação regularizada, acabando por ser um refúgio para pessoas que não possuem a documentação exigida para a permanência no país.250 detidos em Charlotte, na Carolina do NorteTambém nesta quinta-feira, 20, a BBC noticiou a detenção de 250 pessoas em Charlotte, na Carolina do Norte, como parte da ofensiva antimigratória do Presidente Donald Trump contra a imigração ilegal, avançaram as autoridades norte-americanas.Charlotte é a mais recente cidade dos EUA que Trump colocou sob intervenção de forças federais, após medidas semelhantes este ano em cidades como Chicago e Los Angeles. Responsáveis do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos alegam em declarações à BBC que os detidos são criminosos e membros de gangues.No entanto, legisladores locais e residentes têm protestado contra as detenções. O governador democrata do estado da Carolina do Norte, Josh Stein, tinha já alegado que os imigrantes detidos estão a ser visados por motivos raciais.”Temos visto agentes encapuçados, fortemente armados, com equipamento paramilitar a conduzir carros não identificados, a visar cidadãos americanos com base na cor da pele e a deter pessoas ao acaso em parques de estacionamento”, acusou o governador a 16 de Novembro.

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