Trump rompe com Marjorie Taylor Greene, que critica gestão do caso Epstein
O Presidente norte-americano, Donald Trump, retirou na sexta-feira o apoio político a um dos mais mediáticos rostos do movimento MAGA, a congressista republicana da Georgia Marjorie Taylor Greene. A ruptura segue-se a renovadas críticas de Greene à gestão do caso Epstein e à exigência reiterada de divulgação, na íntegra, dos documentos relativos ao escândalo de abusos sexuais na posse do Departamento de Justiça.”Vou retirar o meu apoio à congressista Marjorie Taylor Greene, do grande estado da Georgia”, escreveu Trump na rede social Truth Social. “Só vejo a tonta da Marjorie queixar-se, queixar-se, queixar-se”, acrescentou, acusando a antiga aliada de ter “passado para a extrema-esquerda”, e anunciando que irá declarar o seu apoio a um qualquer adversário republicano nas próximas primárias.”Ela disse a muitas pessoas que está zangada porque eu já não lhe ligo de volta, mas com 219 congressistas, 53 senadores, 24 membros do executivo, quase 200 países, e uma vida de outro modo normal para gerir, não posso atender uma lunática rezingona todos os dias”, escreveu TrumpGreene respondeu de imediato na rede social X: “O Presidente acabou de me atacar de mentir sobre mim.” A congressista negou ter telefonado ao chefe de Estado e disse ter apenas enviado uma mensagem escrita onde o exorta a tomar em mãos o processo Epstein. “Aparentemente foi isso que o fez perder a cabeça. Os documentos do caso Epstein”, acrescentou. “É realmente espantoso o quão arduamente ele está a lutar para travar a divulgação dos ficheiros do caso Epstein”, lamentou.Greene, uma das congressistas ideologicamente mais próximas de Trump, fora até recentemente uma destacada apoiante do Presidente e uma das vozes mais radicais do movimento MAGA. Também conhecida por veicular teorias conspirativas e fazer afirmações de teor xenófobo e anti-semita, a representante da Georgia foi contudo entrando em choque com Trump e o Partido Republicano em vários dossiês. Foi o primeiro membro republicano eleito do Congresso a acusar Israel de genocídio em Gaza, especula-se que acalenta a ambição de voos mais altos, e é uma das proponentes de uma moção, que deverá ser votada na próxima semana em Washington, para obrigar o Departamento de Justiça a divulgar todos os ficheiros relativos ao caso Epstein.O referido caso continua a ser, no mínimo, uma dor de cabeça e uma fonte de distracção para Trump. Em causa está a sua antiga amizade com o ex-gestor nova-iorquino, que morreu numa cela de prisão em 2019 quando aguardava julgamento por acusações de abuso sexual de centenas de jovens mulheres, muitas delas menores de idade. Trump e os seus aliados insistem que a amizade terminou por volta de 2004, devido precisamente às suspeitas de comportamentos impróprios de Epstein, mas o agora Presidente sempre negou ter tido conhecimento directo de qualquer crime. Emails divulgados esta semana no Congresso levantam suspeitas em relação à narrativa oficial. Num deles, assinado por Epstein e datado de 2019, o abusador diz que “é claro que Trump sabia das miúdas”.O Presidente tem tentado direccionar o foco das atenções para adversários democratas igualmente referidos por Epstein. Na noite de sexta-feira, Trump pediu à sua procuradora-geral, Pam Bondi, a abertura de uma investigação às ligações entre o abusador e o antigo Presidente democrata Bill Clinton, bem como ao ex-secretário do Tesouro Larry Summers. De imediato, e apesar de, segundo a Constituição norte-americana, um Presidente não poder ordenar a abertura de uma investigação criminal, Bondi anunciou a nomeação de um procurador para conduzir o inquérito: Jay Clayton, da procuradoria de Manhattan, em Nova Iorque.










