Artistas pernambucanos reinventam os azulejos portugueses e as toalhas da Madeira
Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.
Toalhas da Ilha da Madeira e azulejos portugueses se misturam em um “trânsito de materialidades entre Brasil e Portugal” na exposição Arrudiar, dos artistas pernambucanos Gabriel Petribú, 45 anos, e Marcelo Silveira, 63, na Verso Galeria, em Lisboa, que será inaugurada neste sábado (15/11), às 17h, em Lisboa.Segundo o curador Filipe Campello, 41, que também é professor de Filosofia, Marcelo Silveira trabalha principalmente com a ideia de ressignificar madeiras e usar toalhas de linho da Ilha da Madeira, encontradas até em feiras nas ruas de São Paulo, enquanto Petribú reinventa padrões da azulejaria portuguesa.Quer receber notícias do PÚBLICO Brasil pelo WhatsApp? Clique aqui.“Silveira tem esse trabalho com a madeira, de ressignificá-la. Faz esculturas enormes e questiona muito o que faz algo ser considerado uma obra de arte”, explica o curador. “E, em uma das andanças dele por São Paulo, na Benedito Calixto, que é uma feira de rua, ele encontrou toalhas da Ilha da Madeira”, ressalta.
Marcelo Silveira trabalha principalmente com a ideia de ressignificar madeiras e usar toalhas de linho da região da Madeira
Pat Cividanes
Foi então que Silveira começou a se interessar pela origem, pelo trânsito dos materiais que chegam ao Brasil, via Portugal. “Na verdade, tanto ele quanto Gabriel começaram a pensar sobre como essas referências de um período colonial, de origem portuguesa, fizeram com que eles criassem uma dinâmica de repensar o imaginário brasileiro na exposição”, emenda Campello.Lógica do deslocamentoO curador acrescenta: “Quando Silveira encontrou essas toalhas, começou a pensar no conceito de madeira de lei, que é se usa muito no Brasil. E começou a jogar com isso: madeira de lei, lei da madeira. Ele fez uma pesquisa para tentar entender a origem dessas classificações. E vimos que, em Portugal, não se usa esse conceito de madeira de lei. Na verdade, foi uma ideia colonial para se apropriar de determinadas madeiras. E, mesmo que a matéria-prima da toalha não seja feita de madeira, ela vem através de uma lógica de deslocamento, de contornar, de arrudiar”, avalia.Campello conta que Silveira ainda foi a uma fábrica de linho no Norte de Portugal e à Feira da Ladra, em Lisboa, atrás de outros materiais, como porcelana. “Para ressignificá-la também”, diz.
O curador Filipe Campello diz que as obras de Gabriel Petribú e Marcelo Silveira representam um “trânsito de materialidades entre Brasil e Portugal”
Pat Cividanes
Já Petribú, que é formado pela Accademia di Belle Arti di Firenze, na Itália, de acordo com Campello, usou a carta do escrivão português Pero Vaz de Caminha, com suas descrições imagéticas sobre o Brasil, para criar grandes painéis de azulejos.“Os artistas viajantes que representaram o Brasil naquela época fizeram trabalhos a partir de imagens fantasiosas. Muita coisa sobre a vegetação não é da vegetação brasileira, assim como alguns hábitos também não são. Então, Petribú começou a produzir, com o auxílio da inteligência artificial (IA), novos prompts dessa carta, dessas descrições, para criar outros azulejos”, aponta o curador. “A exposição terá um painel gigante, feito por ele, muito interessante, em que propõe repensar padrões geométricos dos azulejos portugueses.”Arte integradaO curador informa que é a primeira vez que Petribú e Silveira expõem em Portugal, como parte da residência artística na Verso Galeria. Inclusive, algumas peças da mostra estão sendo feitas na praça em frente à galeria, aberta em fevereiro passado, no Campo de Ourique, charmoso bairro lisboeta.“Eles querem conectar a galeria com o espaço público. A ideia é que algumas obras saiam até da galeria”, observa o curador. “A arte é isso, é criar outras imagens, outras narrativas, mais do que apenas contá-las”, afirma.Nascido em Gravatá, Silveira tem obras no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro (MAM Rio), no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) e na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
App PÚBLICO BrasilUma app para os brasileiros que buscam informação. Fique Ligado!










