DESPORTO

Procura por petróleo vai continuar a aumentar, por causa da aviação e indústria

A procura global por petróleo e gás natural pode continuar a crescer até 2050, prevê a Agência Internacional de Energia (AIE) nesta quarta-feira, afastando-se das suas expectativas anteriores de uma rápida transição para combustíveis mais limpos – embora as energias alternativas tenham crescimentos recorde. O resultado disto é que, em todos os cenários analisados no relatório World Energy Outlook de 2025, não há hipóteses de se conseguir evitar um aquecimento global acima de 1,5 graus.A única possibilidade de reduzir de forma significativa a concentração de emissões de gases com efeito de estufa resultantes da produção de energia a partir de combustíveis fósseis é se a tecnologia evoluir suficientemente rápido para conseguirmos remover dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, salienta o relatório, divulgado nesta quarta-feira.Em 2024, a procura por petróleo foi de 100 mil barris por dia. Os modelos de cálculo existentes prevêem um aumento para 105 mil barris por dia em 2035, e 113 mil barris por dia em 2050. Actividades industriais, como produtos petroquímicos para alimentar o gado, e combustível para a aviação, são os principais factores que provocam esse aumento, diz o Global Energy Outlook 2025.A procura de petróleo para produzir combustíveis rodoviários deve manter-se estável até 2035, em relação aos valores de 2024, enquanto o seu uso para geração de energia deverá declinar, ao ritmo de dois milhares de barris por dia até 2035. Praticamente todo o crescimento da procura de petróleo será em economias emergentes e em desenvolvimento.A AIE é uma agência ligada à Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Económica (OCDE), e tem estado sob pressão dos EUA de Donald Trump. Nos últimos anos, a AIE tem posto o foco na transição para energias limpas, enquanto os Estados Unidos pretendem expandir a exploração de petróleo, gás e até carvão. Em 2021, a AIE previu que a procura global de petróleo atingiria o ponto máximo nesta década e que não seria necessário mais investimento em petróleo e gás, se o mundo quisesse realmente atingir o objectivo climático do Acordo de Paris, que é de limitar o aquecimento global a 1,5 graus.No relatório anual World Energy Outlook, agora publicado, a AIE prevê que, a continuarem as políticas actuais, a procura de petróleo atingirá 113 milhões de barris por dia em meados do século – o que representa um aumento de cerca de 13% em relação ao consumo de 2024. E a procura global por energia em 2024 bateu recordes: aumentou 2% em relação ao ano anterior, bem mais do que a média a longo prazo (2010-2023) de 1,4%, diz o comunicado de imprensa da agência.Ar condicionado sorve energiaO aumento da procura de energia no sector residencial para ar condicionado, quando as ondas de calor se tornam cada vez mais frequentes e longas, devido às alterações climáticas, foi o factor decisivo para este crescimento, diz o relatório.As energias renováveis responderam a 60% deste aumento da procura, graças ao crescimento do sector eólico e fotovoltaico, bem como através da recuperação da energia hidráulica, depois de um ano de seca generalizada em 2023.”Com o mundo à beira de ultrapassar o aquecimento global de 1,5 graus, é crucial dar prioridade às energias renováveis e criar um sistema energético resiliente face às alterações climáticas. É essencial uma saída rápida dos combustíveis fósseis, mas as nações continuam a expandir as fontes energéticas poluentes, em contradição com os objectivos climáticos”, considerou Rachel Cleetus, da Union of Concerned Scientists, uma organização norte-americana.


13%
é quanto a procura de petróleo pode aumentar até meados do século, em relação ao consumo de 2024



A procura por gás natural também teve uma subida mais rápida do que nos anos mais recentes, que a AIE relaciona com o disparar do aumento da procura por electricidade em 2024, duas vezes mais elevadas do que a média a longo prazo.Estes relatórios anuais assinalam já há muito o aumento da procura de electricidade “No ano passado, dissemos que o mundo estava a entrar rapidamente na Era da Electricidade – e é claro hoje que essa era já chegou”, disse Fatih Birol, director da AIE, citado em comunicado. “E o aumento do consumo de electricidade já não se limita às economias emergentes e em desenvolvimento”.Procura sobe com centros de dados e IAO rápido crescimento dos centros de dados e das tecnologias de inteligência artificial está a fazer disparar o consumo de energia nas economias mais avançadas, salientou Fatih Birol. Prevê-se que o investimento global em centros de dados atinja os 580 mil milhões de dólares este ano, segundo o relatório. Se esse valor for mesmo atingido, ultrapassará os 540 mil milhões de dólares anuais gastos globalmente no fornecimento de petróleo.Por outro lado, um grupo de economias emergentes, com a Índia e países do Sudeste asiático à cabeça, mas que inclui também Estados do Médio Oriente, América Latina e África deverá dinamizar o mercado de energia nos próximos anos, tirando a primazia à China – embora a sua procura não deva crescer de forma tão rápida como aconteceu com a China.A procura global de energia deve aumentar 90 exajoules (um quintilião de joules, uma unidade de energia muito grande) até 2035, o que é um crescimento de 15% em relação aos níveis actuais. A procura de petróleo só deve chegar ao ponto mais alto por volta de 2030. Quanto ao gás natural liquefeito, os investimentos neste tipo de projectos aumentaram em 2025. As operações de cerca de 300 mil milhões de metros cúbicos de nova capacidade anual de exportação de GNL terão início até 2030, o que representa um aumento de 50% da oferta disponível.As decisões finais de investimento em novos projectos de gás natural liquefeito (GNL) aumentaram em 2025, refere o relatório. As operações de cerca de 300 mil milhões de metros cúbicos de nova capacidade anual de exportação de GNL terão início até 2030, o que representa um aumento de 50% da oferta disponível.De acordo com o actual cenário, o mercado global de GNL deverá aumentar cerca de 560 bcm (milhares de milhões de metros cúbicos, na sigla em inglês) em 2024 para 880 bcm em 2035, e para 1020 bcm em 2050, impulsionado pelo aumento da procura no sector da energia, e alimentado pelo crescimento dos centros de dados e da IA.”Cerca de metade da nova capacidade em GNL está a ser construída nos EUA, e mais 20% no Qatar”, diz o relatório. Isto cria novos riscos, pois em 2035, cerca de 30% de todo o gás liquefeito deverá passar pela costa do Golfo nos EUA – uma zona naturalmente sujeita a furacões, cuja intensidade está a aumentar por causa das alterações climáticas que, por sua vez, estão relacionadas com as emissões de gases com efeito de estufa, em especial as produzidas pelo sector energético.Mas todo este crescimento de energias à base de combustíveis fósseis, em contradição com o que seria necessário para proteger o clima da Terra, pode ter um problema de escoamento. “Permanecem dúvidas sobre para onde irá toda esta nova produção de gás natural liquefeito”, salienta a AIE.”Na conferência do Clima das Nações Unidas, a COP30, que está a decorrer no Brasil, precisamos de que os líderes mundiais cumpram os compromissos que assumiram no Dubai e avancem na transição energética durante esta década, que é crítica”, salientou ainda Rachel Cleetus. Um caminho que os países estão a escolher seguir é dar novo fôlego à energia nuclear. Está a subir o investimento tanto em centrais nucleares de larga escala tradicionais, como no desenvolvimento da nova tecnologia de pequenos reactores modulares. Espera-se que a capacidade instalada de energia nuclear aumentou pelo menos em um terço até 2035, após duas décadas de redução.

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