TECNOLOGIA

Patrões ultrapassam turistas e preparam-se para ocupar antigo Ministério da Economia no Chiado

Há uma grande vista para o Rio Tejo, que apanha os barcos de passageiros que saem do Cais do Sodré a cruzarem-se com os cruzeiros de turistas que marcam agora a paisagem de Lisboa. Também há uma pequena fonte no jardim das traseiras, ainda que não tenha estado sempre em bom estado nos últimos anos. São seis pisos, um com garagem, localizados numa das mais caras zonas da capital e do país, que estavam para ser aproveitados pelos turistas por via de um plano governamental. Porém, afinal, o edifício vai para a confederação que representa os patrões, em condições que estão ainda a ser negociadas.Foi o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, que anunciou na passada quinta-feira este negócio, durante o jantar de comemoração do 50.º aniversário da CIP – Confederação Empresarial de Portugal. O Governo vai “disponibilizar à CIP, em condições que estão a ser definidas, a anterior sede do Ministério, na Rua da Horta Seca”, segundo disse, citado pelo Jornal de Negócios.O Ministério da Economia, que ali estava localizado, transitou para o edifício da Caixa Geral de Depósitos, agora designado de Campus XXI, onde foram concentrados diversos ministérios ainda por decisão do Governo de António Costa. A Horta Seca foi um dos edifícios abandonados, e para os quais o Estado procura nova vida.Não foram disponibilizados mais pormenores, mas a CIP, que tem assento na concertação social em representação das empresas, confirma este acordo, como tinha já avançado a agência Lusa.“A CIP – Confederação Empresarial de Portugal e o Estado Português estão neste momento a fechar os contornos para a cedência do Edifício da Horta Seca por um prazo alargado mediante o cumprimento de um conjunto de obrigações. Obviamente, esse protocolo será tornado público no devido tempo com todas as suas premissas”, segundo repete a organização presidida por Armindo Monteiro ao PÚBLICO.Não se conhecem, portanto, nem as condições, nem as obrigações, e o Ministério da Economia também não respondeu até à publicação da notícia. Em Lisboa, a CIP encontra-se na Praça das Indústrias, preparando-se agora para ir para a Lisboa Pombalina classificada de interesse público, para um palácio que já foi moradia e que albergou empresas e ministérios e que, quando ali estava a pasta da Economia, penalizou muitas vezes ministros considerados independentes (não ligados aos partidos de governo), como Daniel Bessa ou Manuel Caldeira Cabral.O Palácio do Manteigueiro, nome do edifício, encontrava-se a concurso no âmbito do programa Revive, criado para que imóveis públicos pudessem ser concessionados, por via de concurso, a investidores privados com interesse em ali desenvolver projectos turísticos. Até ao momento, foram concluídos 29 concursos, como o Paço Real de Caixas (Oeiras), o Forte da Barra de Aveiro, estando dois em andamento (Quartel das Esquadras, em Almeida, foi aberto; o Hotel Buçaco, na Mealhada, está a decorrer).Após a conclusão dos concursos, há uma fase de projecto, e há também os que estão envolvidos em polémica, como o Quartel da Graça, em Lisboa, entregue ao grupo Sana para a instalação de um hotel, o que ainda não aconteceu e que conta com a oposição de centenas de moradores (há uma petição para parar a concessão).Este edifício onde funcionava o Ministério da Economia, perto do Largo do Camões, ainda não tem concurso lançado no Revive e também não está incluído no conjunto de 16 imóveis (como o da antiga sede da Presidência do Conselho de Ministros ou do Ministério da Educação) que o Governo decidiu que iria vender no primeiro trimestre do próximo ano, cujas verbas resultantes deverão ser utilizadas em investimentos para habitação pública.

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