Levi’s expande a linha calças de ganga <em>premium </em>para responder à procura
A Levi’s vai fazer crescer a sua nova linha de jeans premium para mais lojas no próximo ano. A estratégia procura impulsionar o crescimento da marca norte-americana, respondendo também à forte procura por ganga de qualidade superior, afirmou o director financeiro e de expansão, Harmit Singh, à Reuters.Lançada na Ásia no início deste ano e à venda em duas dúzias de lojas na Europa e nos EUA desde Setembro, a linha Blue Tab de jeans e camisas de alta qualidade faz parte de um esforço contínuo para fazer escalar a marca e atrair mais mulheres, declarou Singh. A nova linha “tem corrido muito bem”, revelou o responsável, a usar uma camisa e um casaco da colecção inspirada no denim japonês, que é mais pesado e rígido.Na Europa, as calças Blue Tab são vendidas por cerca de 250 a 350 euros, em comparação com 70 a 130 euros da linha Red Tab. Já os casacos podem chegar aos 700 euros.A Levi’s, que actualmente vende principalmente calças de ganga de gama média, bem como uma linha para lojas outlet e para o norte-americano Walmart, enfrenta um equilíbrio delicado para atender tanto ao mercado mais económico, quanto ao premium.Embora a linha premium ainda represente apenas 10% do mercado global de gangas, avaliado em cerca de 100 mil milhões de dólares (86 mil milhões de euros), está a crescer mais rapidamente do que a categoria de jeans tradicionais — que tem expandido na casa dos 5%.“O preço é uma das explicações [para o sucesso], mas também é a qualidade do produto. O denim japonês inspirou a ourela”, disse Singh, referindo-se à técnica usada nas bainhas, com recurso a teares tradicionais, resultando num tecido mais denso. Mas o design também é fundamental e prometem-se novidades tanto na linha feminina, como na masculina para o próximo ano.
Harmit Singh da Levi’s
Abdul Saboor/Reuters
O impacte das tarifasA fabricante das famosas calças 501, que registou vendas de 6,4 mil milhões de dólares (5,5 mil milhões de euros) no ano passado, tinha estabelecido a meta de atingir dez mil milhões de dólares em receitas e uma margem de lucro operacional de 15% até 2027, mas descartou os planos durante a pandemia, depois de a alta inflação ter desacelerado o crescimento.As tarifas comerciais impostas por Donald Trump, trouxeram também mais desafios à Levi’s, mas após o crescimento de receita de um dígito nos últimos trimestres, Singh adiantou que a empresa pode estar pronta para traçar um novo cronograma no próximo ano.A época festiva também deverá ajudar a alavancar as vendas, sobretudo porque a etiqueta tem vendido mais produtos sem descontos do que no ano passado, acrescentou Harmit Singh. “O consumidor tem-se mostrado bastante resiliente. E não estamos a presenciar nenhuma retracção na procura”, declarou, acrescentando que a Levi’s vai limitar os descontos tanto quanto possível.Essa estratégia também tem sido possível com colaborações com marcas como a Barbour ou a Nike, enquanto o algodão foi vendido a um preço mais baixos neste ano.Caso os bons resultados se mantenham, Singh revelou que a Levi’s pode adquirir outra etiqueta para se juntar ao grupo que forma com a Beyond Yoga — comprada em 2021 por 150 milhões de dólares (129 milhões de euros). “Deixámos a porta aberta”, terminou.










