Gouveia e Melo nega ser candidato por Marcelo o ter tentado travar. Lusa reitera notícia
Henrique Gouveia e Melo não gostou da notícia avançada pela Lusa de que “foi tentativa de Marcelo para o travar que o levou a candidatar-se” a Belém, e, nesta segunda-feira, classificou-a como “falsa e enferma de uma falta de rigor inaceitável”. Em causa estão declarações feitas numa entrevista do candidato publicada no livro Gouveia e Melo − As Razões, que chega às bancas a 13 de Novembro. Em resposta, a direcção de informação da agência repudia as acusações de manipulação e recorreu a uma frase do candidato para lhe responder: “Na política não pode valer tudo.”O também candidato presidencial Luís Marques Mendes não deixou escapar a confusão para criticar o antigo almirante pela sua tendência para “disparates, contradições e gerar polémicas”, alertando que tais predicados não seriam adequados a um Presidente da República.A notícia em causa foi divulgada pela agência Lusa no domingo e nela consta que Gouveia e Melo só decidiu avançar para Belém quando leu uma notícia no Expresso que dava conta de que Marcelo Rebelo de Sousa pretendia travar a sua candidatura presidencial através da sua recondução como chefe da Armada – uma revelação que logo no domingo o Presidente da República se escusou a comentar.A reacção da candidatura de Gouveia e Melo chegou esta segunda-feira para lamentar que “seja a agência Lusa, órgão de comunicação social que integra o serviço público de informação, que desta forma contribua para a proliferação de uma notícia que objectivamente visou desinformar e manipular as declarações proferidas por Henrique Gouveia e Melo no livro atrás citado”.Segundo a nota da candidatura enviada às redacções, a decisão de concorrer aconteceu depois de o almirante na reserva “ter percebido que o Presidente da República e o Governo não estavam verdadeiramente interessados em nada da Defesa e, portanto, não teria oportunidade de fazer a diferença enquanto Chefe do Estado-Maior da Armada”.”A candidatura à Presidência da República foi motivada, sobretudo, pela vontade de continuar a servir Portugal de forma activa e a contribuir para os destinos do país, perante um cenário de instabilidade política a nível nacional e de incerteza internacional”, aponta ainda o comunicado. “Não se refere, em momento algum, durante a entrevista como tendo sido o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, ou qualquer declaração sua, a motivação para se candidatar à Presidência da República, conforme pode ser facilmente comprovado nas páginas 123, 124 e 125 do referido livro”, lê-se na nota da candidatura.Em resposta, horas depois, a direcção de informação da Lusa reiterou que “Gouveia e Melo diz expressamente que foi um artigo publicado no Expresso, a 3 de Outubro de 2024, sob o título ‘Almirante quer mais dois submarinos para ficar na Armada e desistir de Belém’, que o levou a ‘definir o rumo’ ou seja, a avançar com a candidatura”. “Foi esse artigo que me fez definir o rumo. Porque quando o li, fiquei mesmo danado”, contava o ex-chefe do Estado-Maior da Armada na entrevista citada no livro que chegará às bancas a 13 de Novembro e do qual o PÚBLICO teve acesso a excertos, incluindo o citado.A Lusa manteve a sua notícia e repudiou as acusações do candidato à Presidência da República. “Como bem diz na sua nota a candidatura de Gouveia e Melo, na política não pode valer tudo”, conclui a agência.










