Obra do escritor David Mourão-Ferreira em debate em Lisboa até quinta-feira
O colóquio sobre o autor do romance Um Amor Feliz abre esta quarta-feira na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Anfiteatro III, às 9h30) com José Carlos Seabra Pereira, doutorado pelas universidades de Poitiers (França) e de Coimbra, actual professor na Faculdade Letras da Universidade de Coimbra e na Universidade Católica, que vai falar sobre “As lágrimas jubilosas de Eros e o desejo gnóstico do Espírito em David Mourão-Ferreira”, seguindo-se Paula Morão, professora emérita da FLUL, que abordará o escritor enquanto crítico de poesia.O ex-presidente da Academia das Ciências de Lisboa, Artur Anselmo, apresentará a comunicação “David Mourão-Ferreira, mestre e discípulo”, enquanto o poeta Fernando Pinto do Amaral irá lançar “um olhar retrospectivo” sobre o autor de Tempestade de Verão (1954) e Helena Buescu, especialista nas áreas de Literatura Comparada e Literatura Portuguesa, irá abordar, esta tarde, a faceta de tradutor do escritor.A sessão desta quarta-feira conta ainda com Fátima Marinho, catedrática jubilada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a apresentar “O jogo perigoso e sedutor dos lugares imprescindíveis”, para em seguida o musicólogo Rui Vieira Nery falar do papel do autor de Abandono (“Fado Peniche”, de Alain Oulman) e do seu papel na renovação poética do Fado.O dia encerra com a actuação de um fadista, a anunciar, que tem interpretado o poeta no seu repertório, disse à agência Lusa fonte da organização.Na quinta-feira, o painel de investigadores é composto por Teresa Martins Marques, Daniel-Henri Pageaux, José Manuel Vasconcelos, Elisa Rossi e Cristina Pimentel, entre outros, para serem abordadas temáticas como “David Mourão-Ferreira nos passos de Pessoa”, as suas “leituras francesas” e os “lugares da Antiguidade” na sua poesia. Joana Machado falará dos “ecos clássicos” na sua obra do escritor.À tarde, o seu filho, o produtor David Ferreira, reflectirá sobre as “memórias próximas” do pai, e o colóquio terminará com Arnaldo Saraiva, professor emérito da Universidade do Porto, a apresentar “E fica todavia, toda a vida, / o que nem se sonhava que ficasse” (Memória jubilosa de um mestre e amigo)”.
David Mourão-Ferreira, que nasceu em Lisboa, em 1927, licenciou-se em Filologia Românica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde veio a ser professor. Colaborou activamente com jornais e revistas, nomeadamente o antigo Diário Popular e a Seara Nova, tendo sido um dos fundadores da revista Távola Redonda, e foi presença regular nos ecrãs televisivos, tendo, entre outros, apresentado os programas “Hospital de Letras” e “Imagens da Poesia Europeia”.Em 1965, por ter protestado contra o encerramento forçado da Sociedade Portuguesa de Escritores, viu-se afastado das colaborações que mantinha na televisão e na rádio do Estado (RTP e Emissora Nacional), assim como do ensino oficial.Apesar de proposto, em 1967, e por unanimidade, pelo Conselho Escolar da Faculdade de Letras de Lisboa, para nela voltar a leccionar, só regressou ao ensino universitário em 1970, sendo-lhe aí sucessivamente concedidos os graus de professor auxiliar convidado, de professor extraordinário (1975) e, a partir de 1990, de catedrático convidado.
Depois do 25 de Abril de 1974, dirigiu o diário vespertino A Capital. Exerceu também as funções de secretário de Estado da Cultura, por duas vezes, entre 1976 e 1979.David Mourão-Ferreira fez parceria com o compositor Alain Oulman e Amália Rodrigues, da qual saíram fados como Maria Lisboa, Madrugada de Alfama e Anda o Sol na Minha Rua, além de Abandono, entre outros. Simone de Oliveira, Mercês da Cunha Rêgo, Celeste Rodrigues, Carminho, Mariza e Camané, são outros intérpretes da sua poesia.Na Fundação Calouste Gulbenkian, foi director do Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas, desde 1981, director do Boletim Cultural e da revista Colóquio/Letras, desde 1984, até à morte, em 1996.Literariamente, estreou-se em 1950 com A Viagem. Ao longo da sua carreira escreveu mais de 20 títulos entre poesia, ensaio, contos e um único romance, Um Amor Feliz (1986), que lhe valeu vários prémios, entre os quais o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores.O autor de As Lições do Fogo (1976) foi distinguido também com os prémios Ricardo Malheiros (1959), da Crítica (1980), pela Associação Portuguesa de Críticos Literários, Grande Prémio de Romance e Novela e prémios D. Diniz e Município de Lisboa, todos em 1986. Recebeu o Prémio P.E.N. de Novelística, em 1987, e o de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores, em 1996.Em 1981, o Estado português condecorou-o com o grau de Grande Oficial da Ordem de Sant’Iago da Espada e, em 1996, foi elevado à Grã-Cruz da mesma Ordem.David Mourão-Ferreira nasceu em Lisboa, em 1927, cidade onde morreu, em 1996, aos 69 anos.










