FC Porto entrou forte, cansou-se depressa, mas ganhou em Famalicão
Já não é de agora que o FC Porto dá a sensação de ser uma equipa cansada. O estilo de Farioli é exigente, pede capacidade física para não deixar o adversário pensar e, nos primeiros meses com o italiano, a equipa tinha energia para um jogo inteiro. Agora, parece que não tem pilha para 90 minutos e isso tem custado alguns resultados menos bons, sobretudo na Liga Europa, mas tem conseguido sobreviver na Liga portuguesa. Neste domingo, o FC Porto entrou forte e ficou cansado muito depressa, mas saiu de Famalicão com uma vitória por 0-1 na 11.ª jornada, garantindo que chega à pausa FIFA com uma vantagem de três pontos sobre o Sporting.Pressão primeiro, criação depois. O FC Porto de Farioli vive por esta mantra, impor-se primeiro ao adversário antes de atacar a baliza com mais critério. Anda em alta rotação e não quer deixar os outros jogar. Era isso que iria tentar fazer ao Famalicão, uma equipa que é daquelas que gosta de ter bola, circular e construir – se não o conseguisse fazer, metade do trabalho da equipa de Farioli estava feito. Depois, já podia começar a criar.Foi assim desde o primeiro minuto em Famalicão, com o FC Porto a manter os minhotos na metade defensiva do campo. Pressão, progressão rápida e ataque à baliza. Logo aos 4’, uma boa combinação de Mora com Samu deixou o espanhol na “cara do golo”, mas o guarda-redes Carevic opôs-se bem. Pouco depois, aos 17, foi Samu a combinar com Francisco Moura e o lateral-esquerdo visou a baliza famalicense – falhou o alvo por pouco.A verdade é que o Famalicão, com o tempo, habituou-se a não ser igual a si próprio. Assumiu o esforço defensivo como prioritário e só foi atacando pela certa e em transições. Num desses momentos, aos 20’, Sorriso chegou sozinho à área portista, mas o seu cruzamento rasteiro não teve o destino que queria. Ainda assim, era um sinal do que podia fazer e o perigo que criou foi bem maior aos 29’, num remate do jovem marroquino Zabiri – a bola do campeão mundial sub-20 acertou no poste, bateu na cabeça de Diogo Costa e foi para fora.
O FC Porto estava, de certa forma, a sentir a saída de Bednarek por lesão – sem o polaco, deixava de haver líder na defesa e Rosário, com toda a sua polivalência, não era a mesma coisa. Mas do outro lado do campo, as coisas continuavam a funcionar bem e tiveram os seus frutos aos 36’. De novo uma combinação de Mora com Moura a partir da esquerda, cruzamento atrasado e rasteiro para Froholdt, e golo fácil para o médio dinamarquês, o seu segundo no campeonato.O golo portista era uma evolução natural para o que o jogo estava a mostrar, mas o líder do campeonato não se podia sentir demasiado tranquilo. Sabia que o Famalicão tinha armas suficientes para atacar a baliza de Diogo Costa – já o tinha feito algumas vezes durante a primeira parte, iria redobrar esforços na segunda. Tinha meios humanos para isso, gente que sabe o que fazer à bola no meio-campo, como Gustavo Sá e Matheus Amorim, e avançados rápidos e tecnicistas – Sorriso e Zabiri, sobretudo este, que mostrou pormenores bem interessantes.
Após o reatamento, o FC Porto viu-se na posição pouco confortável de não ter o controlo do jogo. Os minhotos tentaram subir linhas e passar mais tempo no meio-campo contrário, mas não conseguiam criar oportunidades flagrantes. Já o FC Porto, com o ataque refrescado com Borja Sainz e Gabri Veiga (saíram o desastrado William e o importante Mora), conseguiu estar perto do 0-2, com uma bola de Samu que Pedro Bondo conseguiu cortar em cima da linha.O segundo golo portista continuava sem aparecer e a janela de oportunidade do Famalicão continuava aberta. O técnico Hugo Oliveira reforçou o seu ataque à baliza do FC Porto, metendo em campo dois franceses, Joujou e Elisor, mas os minhotos nunca andaram perto do empate. O FC Porto, bem menos intenso do que o seu treinador preconiza, nunca conseguiu sacudir a sensação de pernas cansadas (Froholdt, o melhor em campo, foi a excepção), mas foi eficiente na gestão das energias e chegou ao final do jogo sem sofrer danos. Agora, vai ter tempo para descansar.










