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Ancestralidade, identidade e o futuro da democracia dão o tom da FliParaíba

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Com o tema Nossa Terra, Nossa Gente — Ancestralidade, Identidade e o Futuro da Democracia, a segunda edição da FliParaíba (Festival Literário Internacional da Paraíba) será realizada de 27 a 29 de novembro, em João Pessoa. O evento é considerado “um dos mais relevantes espaços de reflexão literária e cultural da lusofonia contemporânea”.Na programação da FliParaíba, “onde a literatura se transforma em resistência e promove o entendimentos de novos mundos”, haverá oito mesas principais de debates. Entre os escritores convidados estão dois vencedores do Prêmio Camões, o brasileiro Silviano Santiago e o cabo-verdiano Germano Almeida.Mas a lista é plural e também abrange nomes como Inês Pedrosa, Alberto S. Santos, Itamar Vieira Junior, Edney Silvestre, Afonso Cruz e o rapper e educador MC Marechal. Os tópicos vão desde A Língua Como Território de Cidadania até Territórios Literários em Trânsito.


O português José Manuel Diogo é o curador do Festival Literário Internacional da Paraíba
Divulgação

“É um festival que traz escritores que não são estrelas pop, são pensadores da língua, oriundos da língua. Esse é o valor maior e o ponto de partida para essa curadoria”, conta o curador José Manuel, 58 anos, português de Castelo Branco, que é presidente da Associação Portugal-Brasil 200 anos (ABPRA) e diretor da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira.Literatura e músicaEm 2024, o tema da FliParaíba foi Camões 500 Anos — Uma Nova Cidadania da Língua. “Neste ano, falamos da nossa terra, da nossa gente. Mas a nossa terra é a terra da língua. Então, também tem essa ancestralidade e a discussão que hoje todos temos de fazer, que é sobre o futuro da democracia. É o que queremos debater com os escritores, a partir de uma característica mais telúrica”, explica José Manuel. “O mundo é global, a língua não é só mais um instrumento, ela é um território. De fato, a gente mora na língua”, frisa.No segundo e último dia do evento, que é gratuito, haverá ainda a apresentação da cantora paulista Maria Gadú. No ano passado, o paraibano Chico César foi o artista convidado. “Na FliParaíba, fazemos algo interessante, juntamos a música ao festival. Chico César levou muita gente à literatura. Isso acrescenta importância e público”, acredita o presidente da ABPRA.

Essa transformação que o Brasil está fazendo na sociedade portuguesa é um exemplo para essa lusofonia moderna ou contemporânea, que eu prefiro chamar de cidadania da língua”

José Manuel Diogo, curador da FliParaíba


Ele também fala sobre a relevância e a beleza do Centro Cultural São Francisco, que abriga o FliParaíba. “É um lugar extraordinário, que fica num convento do século XVI. A gente se senta no altar da igreja debatendo o anticolonialismo. É algo genial e muito bonito”, afirma.Impacto dos brasileirosDe acordo com José Manuel, atualmente, o Brasil está fazendo uma ação de contracolonização. “Esse movimento está na juventude, nos filhos de brasileiros que estão nascendo em Portugal. Uma coisa que vai ter reflexo daqui a 20 anos. E isso está ajudando Portugal, que não faz filhos e não tem demografia”, garante ele, que acrescenta. “Essa transformação que o Brasil está fazendo na sociedade portuguesa é um exemplo para essa lusofonia moderna ou contemporânea, que eu prefiro chamar de cidadania da língua”, ressalta.Ele gosta de salientar que o fato de um português coordenar festivais no Brasil também é um avanço entre os dois países. “Não é uma vaidade, mas ser um português, que fala com sotaque brasileiro, a organizar festivais no Brasil é um sinal de mudança”, declara o curador, que já esteve à frente, entre outros projetos, da Virada Cultural Literária de São Paulo, que ocorreu em maio passado.


O vencedor do Prêmio Jabuti Itamar Vieira Junior
Miguel Manso

E já há planos para 2026, como o de criar um festival de lusofonia em parceria com a Unesp (Universidade Estadual Paulista). “Represento, de alguma forma, no trabalho da associação, uma maneira moderna de ver essa ligação. E os extremismos são inimigos desse posicionamento. Mas esse é o lugar do nosso trabalho, de não ser sobranceiro, de não ser colonizador. E é na gente da literatura que o mundo cada vez mais guarda a humanidade que tanto lhe vai faltando”, diz ele.Língua portuguesaJosé-Manuel (com hífen quando se trata do escritor, como ele orienta), que acaba de lançar Uma Geografia Poética (em Portugal pela editora Novembro, e, no Brasil, pela Patuá), deseja trazer na terceira edição da FliParaíba, em 2026, representantes do Timor-Leste. No ano passado, vieram autores de Angola, São Tomé e Príncipe e Moçambique. Este ano, são de Cabo Verde, da Guiné, do Brasil e de Portugal.“Estou estudando a possibilidade de fazer um festival em Bogotá, na Colômbia, de literatura em língua portuguesa. Eles conhecem muito pouco sobre a literatura portuguesa”, admite.Residente de São Paulo há quatro anos, mas indo e vindo de Portugal para o Brasil há 20, José Manuel hoje também comanda um programa na CNN Brasil chamado Gente de Lá e de Cá. “As pessoas falam que eu sou o homem de lá e de cá”, brinca ele, que também é professor de mestrado em Marketing e Comunicação em Língua Portuguesa no IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), em Brasília.“É um curso que ajuda brasileiros a entenderem Portugal antes de migrarem. Para dar um conhecimento cultural do país com base na comunicação”, sublinha.
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