Procuradora de Paris descarta cenário de crime organizado no assalto ao Louvre
O assalto ao Louvre em plena luz do dia no passado 19 de Outubro foi obra de criminosos locais e não de profissionais do crime organizado, veio dizer, este domingo, a procuradora de Paris, Laure Beccuau.Numa manhã de domingo há duas semanas, dois assaltantes estacionaram um camião com um monta-cargas à porta do Louvre, usaram a plataforma elevatória acoplada ao veículo para subirem até ao segundo andar e entraram na Galeria de Apolo, da qual saíram, quatro minutos depois, com oito peças ou conjuntos de peças pertencentes à colecção de jóias da coroa (tentaram levar nove, mas a coroa da imperatriz Eugénia caiu pelo caminho). Depois, fugiram à pendura em duas motorizadas, conduzidas por um par de cúmplices.As autoridades acreditam que, dos quatro suspeitos detidos e acusados até agora, três participaram directamente no crime (a quarta é a namorada de um deles, acusada de conspiração criminosa e de ser cúmplice). Parecem não ter o perfil de gangsters profissionais, capazes de executar operações complexas, mas de pequenos criminosos dos subúrbios mais precários do norte de Paris, dizem as autoridades.”Isto não se trata propriamente de delinquência quotidiana”, mas também não é “um tipo de delinquência que costumemos associar aos escalões superiores do crime organizado”, disse Laure Beccuau à rádio FranceInfo. “Estas são claramente pessoas locais. Vivem todas mais ou menos em Seine-Saint-Denis”, uma área de baixos rendimentos.A possibilidade de os protagonistas do assalto ao Louvre serem amadores vem já sendo discutida na imprensa francesa há algum tempo, até porque deixaram cair a jóia mais preciosa das nove que chegaram a ter em mãos, por um lado, e não tiveram sucesso na sua tentativa de atear fogo ao camião antes da fuga, por outro.Uma semana após o assalto, a polícia deteve dois suspeitos, um cidadão argelino que se preparava para sair de França quando foi apanhado pelas autoridades no Aeroporto Charles de Gaulle e um homem de 39 anos que estava já sob supervisão do tribunal por roubo agravado aquando do furto no Louvre (é também cadastrado por roubos cometidos em 2008 e 2014). Ambos vivem em Aubervilliers, na zona norte de Paris, e “admitiram parcialmente a sua implicação no roubo”, disse Laure Beccuau na semana passada.Esta semana, foram detidos mais cinco suspeitos, dois dos quais, um homem de 37 anos e uma mulher de 38, foram acusados formalmente este sábado. De acordo com Beccuau, acredita-se que o homem faça parte do grupo de quatro criminosos que assaltaram o museu, com base em vestígios de ADN encontrados no camião.Segundo a procuradora, o suspeito tem no cadastro 11 condenações criminais; os delitos incluem infracções de trânsito, furto qualificado e tentativa de arrombamento de uma caixa multibanco. Beccuau acrescentou que este homem foi condenado por um roubo em 2015 conjuntamente com um dos dois suspeitos detidos anteriormente; e disse ainda que tem filhos com a mulher de 38 anos acusada de ser cúmplice.Também foram encontrados vestígios do ADN da mulher no camião, mas Beccuau afirmou que estes vestígios parecem ter sido transferidos para o veículo a posteriori, possivelmente por uma pessoa ou um por algum objecto colocado no interior da viatura. Ambos os detidos no sábado negam qualquer tipo de envolvimento no crime, disse a procuradora. Esta referiu que “pelo menos uma pessoa” suspeita do crime continua desaparecida, não tendo, todavia, descartado a possibilidade de haver outros cúmplices. Dos cinco suspeitos detidos esta semana, três foram libertados sem que lhes tivessem sido imputadas quaisquer acusações.










