CIÊNCIA

Tanzânia: Samia Suluhu Hassan vence eleição com larga maioria, com protestos violentos

A Presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, foi declarada no sábado vencedora com ampla maioria numa eleição marcada por protestos mortais em várias regiões do país, motivados pela exclusão dos seus principais adversários.A Comissão Eleitoral da Tanzânia anunciou que Hassan, que assumiu o poder em 2021 após a morte do seu antecessor, recebeu mais de 31,9 milhões de votos, correspondendo a 97,66% do total, o que lhe garante um mandato de cinco anos.Durante a votação presidencial e parlamentar de quarta-feira, eclodiram protestos em várias cidades. Alguns manifestantes derrubaram cartazes de Hassan e incendiaram edifícios do governo, enquanto a polícia respondeu com gás lacrimogéneo e disparos, segundo testemunhas.Os protestos surgiram em reacção à exclusão dos dois maiores rivais de Hassan e às detenções e desaparecimentos de opositores denunciados por organizações de direitos humanos.Num discurso em Dodoma, a capital administrativa, após ser oficialmente declarada vencedora, Hassan considerou que as acções dos manifestantes foram “nem responsáveis nem patrióticas”.“Quando se trata da segurança da Tanzânia, não há debate — devemos recorrer a todos os meios disponíveis para garantir que o país se mantém seguro”, afirmou.Oposição diz que houve centenas de mortes nos protestosO principal partido da oposição, CHADEMA — que foi impedido de concorrer por se recusar a assinar um código de conduta e cujo líder foi detido por traição em Abril — afirmou na sexta-feira que centenas de pessoas terão morrido nos protestos.O escritório de direitos humanos da ONU indicou que relatos apontam para pelo menos 10 mortos em três cidades. O Governo referiu-se à contagem de mortos apresentada pela oposição como “fortemente exagerada” e refutou críticas ao seu historial de ameaças aos direitos humanos. A Reuters não conseguiu verificar de o número de vítimas.Desde quarta-feira, as autoridades impuseram recolher obrigatório em todo o país e restringiram o acesso à internet. Muitos voos internacionais foram cancelados e as operações no porto de Dar es Salaam, ponto crucial de importação de combustíveis e exportação de metais, foram afectadas.O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou a “uma investigação completa e imparcial sobre todas as alegações de uso excessivo da força” e lamentou a perda de vidas.O ministro dos Negócios Estrangeiros da Tanzânia, Mahmoud Thabit Kombo, negou que os serviços de segurança tenham usado força excessiva, afirmando que só houve “pequenos incidentes isolados” provocados por elementos criminosos.Críticas recentes a HassanA Comissão Eleitoral indicou que a participação rondou os 87% dos 37,6 milhões de eleitores registados.O elevado número suscitou dúvidas entre os críticos do governo, que recordaram que o antecessor de Hassan, John Magufuli, tinha sido reeleito em 2020 com apenas 12,5 milhões de votos, num escrutínio com menos de 15 milhões de eleitores. Testemunhas apontaram que, na quarta-feira, a afluência às urnas parecia baixa, com várias mesas de voto interrompidas pelos protestos.Aos 65 anos, Hassan foi elogiada ao assumir o cargo em 2021 por ter atenuado a repressão governamental, mas recentemente tem sido alvo de críticas de partidos da oposição e activistas devido a detenções e alegados desaparecimentos de adversários políticos. No ano passado, a Presidente anunciou uma investigação sobre estes casos, mas não foram divulgados resultados oficiais.Durante a sua campanha, destacou-se na expansão das redes rodoviária e ferroviária e no aumento da capacidade de geração de energia, apresentando estas medidas como conquistas do seu Governo.

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