Louvre reabre três dias após “assalto relâmpago” que fez desaparecer oito jóias da coroa francesa
O Museu do Louvre, em Paris, reabriu as portas aos visitantes na manhã desta quarta-feira, três dias após “assalto relâmpago” que fez desaparecer oito jóias da época napoleónica, num prejuízo estimado de 88 milhões de euros.De acordo com a agência de notícias France Press (AFP), o museu abriu às 9h (hora em França, pelas 8h em Portugal Continental), a hora habitual de abertura, mas a Galeria de Apolo, de onde foram levadas as peças, continua encerrada, informou o Louvre à AFP. Imagens em directo mostraram dezenas de visitantes a entrar no museu pela primeira vez desde o assalto.O roubo de “jóias de valor inestimável” do Louvre, o museu mais visitado do mundo, durou menos de dez minutos (o Ministro do Interior francês falou em sete, a Ministra da Cultura em quatro). Pouco depois da hora de abertura do museu, quatro pessoas encapuzadas entraram no Louvre através de um edifício adjacente que estava em obras, na rua François Mitterrand, nas margens do rio Sena, e levaram um total de nove peças.Durante a fuga, deixaram cair a coroa da imperatriz Eugénia, mulher de Napoleão III, feita em 1855 em ouro e incrustada com 1354 diamantes e 56 esmeraldas. A coroa ficou danificada, mas foi recuperada pouco depois do assalto, baixando o total de peças roubadas para oito.
Os ladrões usaram uma plataforma elevatória para aceder directamente à sala que tinham como alvo, a Galeria de Apolo, onde está exposta parte das jóias da coroa francesa, e depois de quebrarem a janela e as vitrinas, roubaram as peças, fugindo depois “em scooter de alta potência”. O Louvre abriu pelas 9h e o assalto terá ocorrido entre as 9h30 e as 9h40 de domingo, 19 de Outubro, em plena luz do dia e quando já existiam visitantes no interior.Na segunda-feira, o diário francês Le Monde avançou, citando um funcionário do Louvre, sob anonimato, que em vez dos seis funcionários alocados à vigilância da Galeria de Apolo, só lá trabalham cinco, e nem sempre ao mesmo tempo. O número de funcionários baixa para quatro durante o primeiro intervalo da manhã, que decorre perto das 9h30, exactamente a hora do assalto. De resto, tanto a direcção do museu como o sindicato de trabalhadores já tinham alertado, ao longo dos anos, que a segurança do museu era “frágil” e que havia falta de funcionários e de câmaras de vigilância.O museu foi evacuado pouco depois de dado o alerta e só voltou a reabrir esta quarta-feira. “Foi necessário retirar as pessoas, principalmente para preservar vestígios e pistas, para que os investigadores pudessem trabalhar com tranquilidade”, disse o Ministro do Interior, Laurent Nuñez, no domingo.As autoridades confirmaram, entretanto, que quatro pessoas estiveram directamente envolvidas no assalto e que poderão ter contado com “várias equipas de apoio”. A investigação, conduzida pela Jurisdição Especializada Inter-regional (Jirs) de Paris, mobiliza cerca de 100 investigadores. O Ministério Público de Paris também anunciou a abertura de uma investigação de “furto organizado e conspiração criminosa para cometer um crime”.Está a ser investigada a existência de possíveis “patrocinadores ou agentes internos” ligados ao crime. Entre as linhas de investigação, está a ser considerada a possibilidade de o roubo ter sido encomendado por um coleccionador privado ou de ter como objectivo o desmantelamento das peças para venda das pedras preciosas. O Ministério da Cultura francês classificou o furto como “um golpe no património francês” e destacou que as jóias roubadas “fazem parte da história e da identidade cultural da França”.










