Mais de 80 países querem um roteiro claro para abandono dos combustíveis fósseis
Mais de 80 países do Norte e do SulGlobal expressaram publicamente o seu apoio a um roteiro para o abandono dos combustíveis fósseis – já transformado na sigla TAFF, de transition away from fossil fuels – numa sessão que decorreu esta terça-feira na Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP30, em Belém, no Brasil.Esta coligação, que inclui tanto países consumidores como produtores de combustíveis fósseis, anunciou a sua intenção numa conferência de imprensa em que participaram ministros de vários países, e denominou o seu esforço como “Mutirão Call for a Fossil Fuel Roadmap”. Mutirão é uma palavra de origem indígena, que significa juntar muitas pessoas para cumprir um objectivo comum, e que foi adoptada como princípio orientador da COP30.Apesar do impulso crescente e do apoio que o Presidente brasileiro Lula da Silva expressou a esta ideia, a inclusão deste roteiro no primeiro rascunho da decisão da COP30, intitulado “Global Mutirão”, revelou-se insuficiente para muitos.A enviada para o Clima das Ilhas Marshall, Tina Stege, que participou na conferência de imprensa, salientou que a referência actual no texto é fraca e apresentada apenas como uma inclusão opcional. Stege defendeu que a menção ao roteiro deve ser fortalecida e formalmente adoptada.Os países que apoiam esta iniciativa deixaram claro que não querem terminar a conferência sem alguma clareza sobre a adopção de um roteiro. Para várias organizações ambientalistas, este anúncio foi considerado como um potencial ponto de viragem da cimeira.UE tem de ser mais decididaA directora da Climate Action Network Europe (CAN Europe), Chiara Martinelli, criticou a posição da Europa relativamente ao roteiro para a transição dos combustíveis fósseis, pedindo que o bloco seja “um pouco mais concreto e mais decidido” no apoio a esta transição. No início da segunda semana da COP, “já não podemos ficar à espera que outros dêem o primeiro passo”, afirmou.A União Europeia tem de se mostrar “unida e clara” sobre como deve ser este mapa para o abandono dos combustíveis fósseis. A conversa não pode limitar-se apenas ao processo, defendeu a directora desta organização que é uma espécie de guarda-chuva para muitos outros grupos de defesa do ambiente. Se a UE estiver realmente empenhada em defender o multilateralismo e em combater a ascensão de líderes negacionistas do clima, “deveria agora apoiar pública e inequivocamente”, em plenário, o apelo do Presidente Lula da Silva para um roteiro TAFF, afirmou.Para ancorar o roteiro no objectivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C, tal como prevê o Acordo de Paris, este plano deve ter definidas “datas claras de eliminação progressiva de combustíveis fósseis” para cada país, o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis e ferramentas concretas para duplicar a eficiência energética e triplicar as energias renováveis – uma meta saída da COP28, que decorreu no Dubai, há dois anos, defendeu Chiara Martinelli.










