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<em>The Look</em> é o novo livro de Michelle Obama e levanta a cortina sobre moda e beleza na Casa Branca

Michelle Obama vestiu o papel de primeira-dama durante oito anos, de 2009 a 2017. Durante esse tempo não “falou propositadamente sobre moda e beleza” com “medo que isso invadisse o resto”, conta, em entrevista exclusiva à revista People. Em The Look, novo livro de Michelle Obama, a advogada de 61 anos revela essa parte da sua vida e fala sobre os seus visuais, o papel da moda e da beleza na Casa Branca e as críticas lançadas à sua imagem.Michelle Obama, mulher de Barack Obama, analisou o seu estilo e o papel que a moda desempenhava nos seus tempos de primeira-dama dos EUA. No seu novo livro, a lançar a 4 de Novembro, Michelle partilha, mais uma vez, aspectos do funcionamento interno da Casa Branca que não estão à vista do público. Desta vez, fala de aparências e vestuário.“Durante os meus oito anos na Casa Branca, propositalmente não falei sobre moda e beleza”, confessou, esta terça-feira, à People. “Tive medo de que isso invadisse o resto”, acrescentou a advogada.Depois de estar debaixo do olhar atento do público, Michelle Obama confessa que agora sente-se livre para vestir e usar o que bem entender. “Esta é a primeira vez que cada decisão que tomo é só minha”, partilha a ex-primeira dama, que afirma estar mais preocupada com a sua saúde do que propriamente com a sua aparência física.


The Look foi escrito a quatro mãos com a sua consultora de imagem e stylist Meredith Koop, que vestiu Michelle Obama e as filhas, Malia e Sasha, para os eventos públicos e durante toda a estadia da família na Casa Branca. A necessidade e a pressão de “ser uma inspiração, mas acessível” vêm atreladas ao papel de primeira-dama, conta.“Ser primeira-dama é um trabalho que não é um trabalho; tem que se ser uma inspiração, mas acessível; temos de ser nós mesmas, ser autênticas, mas ao mesmo tempo representar os outros”, define Michelle Obama.Como mulher racializada, a ex-primeira-dama fala da necessidade de mostrar o seu “lado feminino”, sentindo essa exigência sobretudo no início da campanha, quando foi acusada de estar sempre zangada e de ir contra o seu marido. “Todos esses rótulos que me eram colocados estavam a tentar, essencialmente, roubar-me essa feminilidade”, explica.“Não foi uma luta, porque eu respeitava muito a posição, para começar. Eu levava o papel de primeira-dama muito a sério. Eu era uma pessoa famosa, mas não era uma estrela. Então, isso significava que as roupas nunca poderiam falar mais alto do que o que eu tinha a dizer”, recorda Michelle Obama.Comentários alheiosMesmo com looks meticulosamente pensados e escolhidos, Michelle Obama estava sujeita ao escrutínio público. Muitas vezes, os comentários eram positivos e as peças usadas pela ex-primeira-dama rapidamente esgotavam nas lojas. Entre os elogios ao sentido de moda e ao estilo de Michelle Obama, houve espaço para críticas. Um desses momentos foi a aparição, em 2008, no The Tonight Show, em que a primeira-dama vestiu um fato amarelo sem mangas. Os braços de Michelle foram manchete. “Eu encarei aquilo pelo que era: pura hipocrisia”, afirma.“Eu podia, num segundo, abrir [na Internet] fotografias da Jackie O. [Jacqueline Kennedy Onassis] e ver esse ícone da moda como primeira-dama em vestidos sem mangas. Então, a certa altura, pensas: ‘Ah, isto é política. Se não podes vencê-los, faz com que todos tenham medo deles.” Esse era o lema. Se não fossem as roupas, era ‘aquele cumprimento terrorista com os punhos’. Era cada palavra que dizíamos. Era o fato bege do meu marido”, enumera Michelle Obama, recordando vários momentos em que os Obama foram criticados, mostrando que tomou consciência de que tudo o que fazia podia ser alvo de comentário.


Michelle Obama a acompanhar o marido a 20 de Janeiro de 2009, na Pennsylvania Avenue. Com um vestido de Isabel Toledo, este foi considerado, pela Time, um dos visuais mais influentes como primeira-dama
Doug MILLS /AFP PHOTO

Fossem boas ou más as opiniões sobre a sua aparência, Michelle confessa que preferia manter a distância. E confessa que não “prestava atenção a isso” por não “querer entrar nessa espiral de ouvir os comentários das outras pessoas, fossem eles bons ou maus”. O importante para si, ressalva, era que o “povo americano, todas as pessoas de todas as raças, de todas as convicções políticas, pudessem identificar-se” com ela.​Os jantares de Estado e os encontros com BarackNa conversa com a revista People, na qual foi capa, Michelle Obama abre o coração a pormenores íntimos e revela como os jantares de Estado lhe lembravam o dia do casamento com Barack Obama. A advogada conta que aproveitava as ocasiões para “tentar coisas diferentes” e para aperaltar-se para o seu marido. “Todas as vezes eram como se fosse o nosso casamento. Sentia-me a mais bonita do baile. A cada ano que passava, ficava um pouco mais ousada, eu e a minha equipa tentávamos coisas diferentes”, conta Michelle, referindo-se aos visuais que escolhia para os jantares de Estado.“Faz parte do romance, aqueles pequenos momentos neste mundo louco, em que podíamos olhar um para o outro e dizer: ‘És bonito.’ Depois descíamos as escadas para o ambiente de imprensa, luzes e câmaras, e era como: ‘Vamos só ficar e aproveitar este momento. Somos realmente só nós’. Isto é bom”, revela.


Barack Obama e Michelle Obama em 25 de setembro de 2015, enquanto esperavam pelo Presidente chinês Xi Jinping e Peng Liyuan para um jantar de Estado na Casa Branca
MIKE THEILER / REUTERS

Ainda sobre a vida em casal, a ex-primeira-dama fala de como partilha os momentos a dois com o marido e como o encontro ideal é ficar por casa. ​“Estamos casados há 32, 33 [anos], eu esqueço-me sempre. Desculpa, querido”, brinca durante a entrevista. “Não nos vestimos a rigor”, garante Michelle Obama. “Temos apenas um jantar agradável, com velas acesas, música, conversamos. Não conversamos durante o dia todo, porque estamos juntos em casa. Trabalhamos em casa. Então, quando vamos ter uma noite realmente especial, é tipo: ‘Não fales comigo. Guarda isso para o jantar.’ Ele pergunta: ‘Falaste com as meninas?’ e eu respondo: ‘Falei, mas não vamos falar sobre isso até à noite do encontro’”.Tirando os dates caseiros, Michelle conta que ela e Barack Obama também não dispensam o típico plano de ir jantar fora. “Às vezes saímos para jantar em Washington ou noutro lugar. Estou muito velha, não consigo jantar e ir ao cinema. Vou adormecer no cinema. Então é tipo: ‘Vamos escolher só uma coisa’”.A liberdade fora da Casa BrancaDepois de ter recordado o seu passado e as memórias na Casa Branca, a fechar a conversa com a revista norte-americana, Michelle Obama falou do presente e de como se sente “livre” sem as regras de indumentária e sem a necessidade de olhar estrategicamente para a roupa. A advogada refere que uma dessas liberdades é poder fazer tranças e usar o cabelo como deseja.“As tranças permitem-me ter o cabelo penteado e, assim, tenho menos uma coisa com que me preocupar. Quando estou longe dos holofotes, vou nadar, jogo ténis e as tranças representam esse tipo de liberdade para mim. [Na Casa Branca] não tinha a certeza se o país estava pronto para isso”, afirma Michelle Obama, que confessa que não queria que o seu cabelo se “tornasse uma distracção”.


Michelle e Barack Obama com as suas duas filhas (Malia à esquerda e Sasha à direita)
Barack Obama / INSTAGRAM

“Estou tão entusiasmada como sempre. As minhas filhas estão crescidas e independentes, são saudáveis e felizes. O meu marido está bem”, resume Michelle Obama. Em Abril, num episódio do podcast “​The On Purpose With Jay Shetty”​, a ex-primeira-dama revelou que começou a fazer terapia para aprender a lidar com a chamada síndrome do ninho vazio, depois de as duas filhas, Malia e Sasha, hoje com 26 e 23 anos, respectivamente, terem saído de casa.“Estou a fazer terapia, porque estou em transição. Tenho 60 anos, terminei uma fase muito difícil da minha vida com a minha família intacta, sou uma mãe cujas filhas já saíram de casa, as minhas meninas já voaram do ninho! Esta é uma fase totalmente diferente da minha vida”, disse na altura Michelle Obama, citada pelo The Guardian. Agora, à People, a advogada conta que tenta aproveitar os seus dias e que continua a preocupar-se com a saúde, com a dieta e com o exercício físico.“Somos o ex-Presidente e a ex-primeira-dama, e sinto que esta é a primeira vez na minha vida em que, quando digo e faço algo, como, por exemplo, aqui nesta entrevista e ao escrever este livro, essas são as minhas escolhas. Isso é libertador”, remata Michelle Obama.Texto editado por Bárbara Wong

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