Resultado líquido ajustado da Galp bate recorde de 407 milhões no trimestre
A Galp Energia teve um resultado líquido ajustado de 407 milhões de euros no terceiro trimestre deste ano, um crescimento de 53% em termos homólogos, e que, segundo a empresa, representa um novo recorde.“Metade dos resultados teve origem na produção de petróleo e gás no Brasil”, afirmou a Galp em comunicado esta segunda-feira de manhã.De acordo com a petrolífera, este crescimento “foi suportado pelas actividades de aprovisionamento & trading de gás natural e a disponibilidade do aparelho refinador, que permitiu capturar a recuperação internacional das margens de refinação, mais do que compensando o impacto da desvalorização das cotações do crude”.Nos primeiros nove meses do ano, o resultado líquido ajustado, ou seja, sem eventos considerados extraordinários e efeitos de inventário, foi de 973 milhões de euros, uma subida de 7%.No entanto, sem o efeito de ajustamento, o resultado líquido no terceiro trimestre foi de 264 milhões de euros, o que representa uma descida de 2% em termos homólogos. Olhando para os nove meses, a diminuição foi de 6%, para 941 milhões de euros.Refinação em altaNa refinação, a Galp explicita que esta beneficiou de uma recuperação das margens internacionais, “determinadas pelas cotações do crude e dos produtos refinados no mercado europeu, que atingiram 9,5 dólares por cada barril processado, permitindo um aumento de 78% nos resultados das exportações a partir de Sines face ao trimestre homólogo”.No gás, “o início das entregas de cargas de GNL [sigla em inglês para gás natural liquefeito] por parte da Venture Global LNG, nos Estados Unidos, ao abrigo de contratos de aprovisionamento de longo prazo, permitiu um aumento de 42% nos volumes de gás natural transaccionado”. “Além disso”, acrescenta, “a expansão da comercialização de gás natural no mercado brasileiro também contribuiu de forma positiva”.A vertente comercial também teve uma evolução positiva, com um aumento de 28% nos resultados operacionais, para 119 milhões, “com melhorias em quase todos os segmentos, ajudada por uma recuperação do mercado espanhol”.No caso da produção, apesar da “boa performance operacional” no terceiro trimestre, “patente no aumento de 2% da produção de petróleo e gás natural face ao mesmo período de 2024”, esta, diz a petrolífera, “foi impactada pela queda das cotações do petróleo nos mercados internacionais, caindo 14% para 464 milhões de euros”.Também as renováveis “operaram num cenário de preços da energia solar pressionados”, o que, diz a Galp, “levou à adopção de uma estratégia de optimização tanto das actividades de geração, através da limitação voluntária da produção, como das fontes de receitas adicionais provenientes da prestação de serviços de sistema de rede”.Um indicador que mostra as dificuldades neste segmento é o Ebitda (lucro antes de juros, impostos depreciação e amortização), que desceu 35% em termos homólogos, para 16 milhões.Dividendos a subirNo terceiro trimestre, a Galp investiu 273 milhões, dos quais dois terços “foram aplicados na aceleração da construção, em Sines, das unidades de produção de hidrogénio verde de 100MW”, que a empresa diz ser “pioneira a nível europeu”, e de biocombustíveis avançados de baixo carbono”. Inclui-se também aqui a “modernização da rede de lojas e na expansão da rede de carregamento eléctrico e da capacidade dos activos de produção fotovoltaica”.O valor restante foi investido no Brasil, “sobretudo no projecto Bacalhau, na região do pré-sal da Bacia de Santos, que iniciou a produção em Outubro”. Neste mercado, a Galp tem como parceiro de investimento a chinesa Sinopec, dona de 30% da Petrogal.No comunicado, a empresa nota que no final Outubro tinha um fluxo de caixa disponível (free cash flow) de 548 milhões, acima dos 193 milhões no mesmo período do ano anterior, o que “permitiu que a empresa reduzisse o endividamento líquido em 245 milhões face ao final do 2º trimestre”. Isto, sublinha, “mesmo após o pagamento de dividendos a minoritários em empresas do grupo e de um dividendo interino”.Este ano, a Galp já pagou 480 milhões de euros em dividendos aos seus accionistas, 15% acima do valor dos primeiros noves meses de 2024. Aqui, destaca-se a posição da Amorim Energia (das herdeiras de Américo Amorim, aliadas à angolana Sonangol), com 36,69% do capital, e do Estado português, dono de 8,24% e segundo maior accionista.Os resultados agora apresentados, diz a co-presidente executiva e administradora financeira da Galp, Maria João Carioca, mostram “a solidez” dos investimentos “e a capacidade de crescer nos diferentes mercados”. “O desempenho e a eficiência dos nossos vários negócios permite-nos navegar a imprevisibilidade do mundo e continuar a investir nas oportunidades que surgem da transformação do nosso sector”, acrescentou a gestora, citada no comunicado.










