Quarto porta-aviões chinês já estará em construção e deve ser movido a energia nuclear
Uma semana depois de o terceiro e mais sofisticado porta-aviões da República Popular da China ter entrado oficialmente ao serviço da Marinha do Exército de Libertação do Povo (ELP), imagens de satélite divulgadas esta quinta-feira pelo South China Morning Post, jornal de Hong Kong, mostram o que aparentam ser trabalhos de construção de um quarto porta-aviões chinês.Em Março, segundo o Post, Yuan Huazhi, comissário político da Marinha do ELP, já tinha dito à emissora estatal CCTV que a construção de mais um porta-aviões estava em marcha. Na semana passada, também o Guardian noticiava a existência de “algumas provas” que mostram que a China “já está a trabalhar num quarto porta-aviões”.Divulgadas nas redes sociais por especialistas em segurança e defesa da China e analisadas pelo The War Zone (TWZ), um site norte-americano especializado em assuntos militares, as imagens aéreas dos estaleiros de Dalian, na província de Liaoning, no Nordeste do país, sugerem que o navio de guerra Type 004 será movido a energia nuclear.
A confirmar-se esta possibilidade, será o primeiro porta-aviões chinês a utilizar a propulsão nuclear. O mais recente, o Fujian, destaca-se pelo seu moderno sistema de catapulta electromagnética, que facilita a descolagem de aeronaves, mas é movido através de geradores a diesel e turbinas a vapor.Ainda que a China esteja a desenvolver e a reforçar a grande velocidade a sua frota de navios de guerra, é preciso notar, para comparação, que os 11 porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos – que lidera, por grande margem, a lista dos países com mais porta-aviões, sendo a China o segundo, com três – usam esta tecnologia, assim como o navio francês Charles de Gaulle.“É visível [nas imagens] o que parece ser uma estrutura de contenção do reactor, o que seria um indicador importante do sistema de propulsão [do porta-aviões]. A estrutura é bastante semelhante às dos superporta-aviões dos EUA, e existe um consenso generalizado de que o que vemos aqui está relacionado com a instalação futura de um reactor nuclear”, lê-se no relatório do TWZ, assinado pelo analista Thomas Newdick.
Herr a larger and clearer Version of the same image … and indeed, it‘s getting more and more interesting! ?? pic.twitter.com/FmzfUL383a— @Rupprecht_A (@RupprechtDeino) November 11, 2025
No ano passado, a Associated Press já tinha noticiado que um grupo de investigadores do Instituto de Estudos Internacionais de Middlebury, na Califórnia, estava a analisar um conjunto de imagens de satélite que mostrava o que parecia ser a construção de um protótipo de reactor nuclear numa área montanhosa nos arredores de Leshan, na província chinesa de Sichuan, destinado à “produção de plutónio ou trítio para armamento”.“Há precisamente um ano, surgiram provas de que a China tinha construído um protótipo de reactor nuclear terrestre adequado para um grande navio de guerra de superfície”, assinala Newdick, referindo-se “ao chamado ‘projecto Poder do Dragão’” que diz estar a ser desenvolvido em Leshan.“A propulsão nuclear dará ao Type 004 um alcance efectivamente ilimitado”, acrescenta o analista do TWZ – o Fujian, por exemplo, pode percorrer até dez mil milhas náuticas (cerca de 18.500 quilómetros) antes de precisar de reabastecer. “Um superporta-aviões movido a energia nuclear contribuiria muito para diminuir a diferença técnica [entre Marinha chinesa] e a Marinha dos EUA”, diz Newdick.Na mesma linha, em declarações à AP, Tong Zhao, investigador do think tank Carnegie Endowment for International Peace, sediado em Washington D.C., dizia há um ano que o desenvolvimento e implementação da tecnologia de propulsão nuclear num porta-aviões “simbolizaria prestígio nacional” para o Governo chinês e teria potencial para “alimentar o nacionalismo interno” e “elevar a imagem global do país enquanto grande potência”.O terceiro porta-aviões chinês foi lançado pela primeira vez ao mar em 2022 e precisou de quase três anos para estar totalmente operacional, depois de ter realizado uma longa série de testes, pelo que um quarto porta-aviões ainda necessitaria de vários anos até poder entrar ao serviço da Marinha do ELP.










