Projecto da estação de Campanhã perde edifício ponte e tem agora passagem pedonal
O estudo prévio da nova estação de Campanhã foi anunciado em 2024 como uma forma de unir duas pontas de um território que a linha ferroviária marca como uma cicatriz. Agora, em fase de projecto de execução, o AVAN Norte, o consórcio de empresas que ganhou o concurso de construção do primeiro lote da linha de alta velocidade, propõe que essa ligação continue a existir, mas simplifica os planos.Na proposta inicial, que a Infra-Estruturas de Portugal (IP) encomendou ao atelier do arquitecto catalão Joan Busquets, estava prevista a construção de um edifício-ponte sobre as linhas de comboio de Campanhã.Seria uma forma de ter “uma estação mais eficaz”, dizia Busquets, na apresentação do Plano de Urbanização de Campanhã, em Janeiro de 2024, embora também ressalvasse que ainda não era uma proposta final e que essa viria com o projecto de arquitectura.Nos documentos agora publicados e que ficarão em consulta pública até dia 11 de Novembro, no portal Participa, o consórcio formado por Mota-Engil, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto propõe que o edifício-ponte inicialmente previsto passe a “passagem superior pedonal”.
Essa passagem será “protegida pelo grande coberto central” e funcionará como elemento de conexão, com “acessos directos aos cais de embarque”. Ligará a actual estação de Campanhã, na parte poente do canal ferroviário, a um novo edifício de passageiros, que será construído a Nascente, assim como uma torre de serviços administrativos (que, com a proposta actual, cresce para 17 pisos, 16 dos quais acima do solo), uma nova praça e um parque de estacionamento enterrado.Num estudo encomendado à consultora Trenmo e utilizado para justificar as alterações na estação de Campanhã, é referido que o edifício ponte representa um “volume significativo de construção por cima do canal ferroviário”. Entre outros pontos assinalados no estudo, a passagem pedonal prevê um “volume muito inferior”, permitindo uma “poupança significativa de tempo” e a “conclusão do projecto abaixo do tempo inicialmente estimado”.Está prevista também a criação de um parque de estacionamento público com capacidade para 620 carros, para 20 motociclos e 30 bicicletas. Pondera-se ainda a criação de mais 10 lugares para bicicletas junto à entrada do metro, embora se registe que o município do Porto não tem, para esta parte da cidade, “um plano ciclável”, pelo que se antecipa que o número de utilizadores de bicicletas em Campanhã “será muito reduzido”.
Estudo prévio de Joan Busquets desenhava edifício-ponte sobre linhas ferroviárias.
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Quanto à articulação com outros transportes públicos, “a localização actual das paragens de autocarro manter-se-á inalterada com a chegada do serviço” de alta velocidade.Pinto Luz vai ao parlamentoEsta não é a primeira mudança que o consórcio quer operar no primeiro lote da alta velocidade. Nem sequer é a mais significativa. O AVAN Norte propõe a mudança de localização da estação de Gaia, querendo construí-la em Laborim e não em Santo Ovídio, dois quilómetros a Norte, como estava previsto no caderno de encargos da empreitada.A confirmar-se, esta opção obrigará a construir uma extensão à rede de metro para servir uma estação numa área com terrenos que estão classificados como Reserva Ecológica Nacional e Reserva Agrícola Nacional.O assunto está longe de ser consensual e, já nesta quarta-feira, os deputados da Comissão de Infra-Estruturas, Mobilidade e Habitação aprovaram pedidos para ouvir a IP e o ministro das Infra-Estruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, noticiou a Agência Lusa. O PSD pediu para ouvir a IP, tendo sido o PS a chamar Pinto Luz.Também a ponte sobre o rio Douro é alvo de alterações, nos documentos que estão em consulta pública. Em vez de uma só travessia rodoferroviária entre Gaia e Porto, o consórcio prevê a construção de duas pontes, uma para carros, à cota baixa, outra para comboios de alta velocidade, num plano mais elevado.
Nesta fase da empreitada da linha de alta velocidade entre Porto e Oiã, está prevista a demolição de 185 habitações e de 45 instalações de empresas.









