CIÊNCIA

A Nissan volta à carga com o Leaf, agora com corpo de <em>crossover</em>

Era uma folha caída, mas neste Outono recebe um novo sopro de vida para voltar a rodar nas estradas portuguesas no final do primeiro trimestre de 2026. Longe vão os anos em que o Nissan Leaf era o símbolo da massificação dos carros eléctricos e surgia inopinadamente a transportar governantes, que o adoptavam como expressão pública de compromisso com o ambiente. Mas chegar primeiro não é tudo, não garante muito tempo de permanência no topo, e o Leaf, lançado em 2010 e com uma segunda versão em 2018, foi perdendo força, e sobretudo autonomia, ficando para trás face à concorrência.Agora, regressa com tudo novo, incluindo um novo conceito — evoluiu para um crossover —, e parâmetros que lhe permitem medir forças com os rivais, sendo que o número mais importante nesse confronto será o do preço, do qual ainda só se conhece a promessa de ser competitivo.O Leaf terá duas baterias, de 75 kW e 52 kWh, sendo que, numa primeira fase, a que virá para Portugal será a de maior capacidade, com autonomia WLTP (circuito misto) de 622km, a alimentar um motor de 218cv (160 kW) e 355 Nm, com aceleração de 0-100 km/h de 7,8 (standard mode) e 7,6 (sport mode) e velocidade máxima de 160 km/h. Pode carregar à potência máxima de 150kW em corrente contínua e obter carga para 430 quilómetros em 30 minutos. Em corrente alternada poderá carregar a 7,4 e 11 kW.


Particularmente conseguida é a traseira, onde sob um spoiler natural surgem as luzes em 3D que representam o nome da marca: os dois traços verticais lêem-se ni (2) e os três horizontais san (3) em japonês
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Num circuito de cerca de 200 quilómetros à volta de Copenhaga, com estradas tranquilas de floresta e de costa mas também com auto-estrada, registou-se um consumo de 14,4 kWh/100km, um pouco acima dos 13,8 kWh/100km anunciados, num primeiro contacto que serviu sobretudo para atestar o pisar confortável do veículo. O Leaf conta com o já habitual sistema e-Pedal da Nissan, que regenera a bateria pela energia libertada na travagem com ajuste por patilhas no volante.A bordo do carro, que é integralmente fabricado em Sunderland, Reino Unido, onde a Nissan dispõe também de uma unidade de produção de baterias, há materiais agradáveis ao toque, na parte de cima do tablier e das portas. Mais longe da vista há plásticos menos nobres, cuja qualidade da montagem será essencial para mitigar ruídos parasitas. O espaço atrás é razoável, para dois adultos até 1,85m e a bagageira tem 437 litros de capacidade.A estética de um automóvel será sempre altamente subjectiva mas não será arriscado afirmar que a Nissan acertou à terceira e que esta é a versão mais conseguida do Leaf. As linhas fluidas, além de agradáveis à vista, resultam num coeficiente aerodinâmico de apenas 0,25 Cd. Particularmente conseguida é a traseira, onde sob um spoiler natural surgem as luzes em 3D que representam o nome da marca: os dois traços verticais lêem-se ni (2) e os três horizontais san (3) em japonês. É por isso que a Nissan utiliza tantas vezes o número 23 nas provas desportivas, por ter os algarismos 2 e 3.Isto é uma brincadeira com palavras homófonas, porque, na verdade, Nissan, o nome da marca, significa “Indústria Japonesa”. De qualquer forma o Leaf aposta neste jogo de símbolos como estratégia comunicacional e comercial e espalhou nada menos do que 20 destes conjuntos de traços verticais e horizontais pelo carro e desafia os consumidores a descobri-los todos. Uns são muito fáceis de descobrir, outros nem tanto.O tecto de vidro que muda de opacidade de forma seccionada por comando eléctrico já não é uma novidade absoluta, mas também tem muito de lúdico. Tal como outros dispositivos destinados a tornar a vida a bordo mais confortável, como os bancos aquecidos, com massagem e aquela coluna extra do sistema áudio Bose que está embutida no encosto de cabeça do condutor, para uma experiência mais envolvente e para que este não perca nada das indicações de navegação ou das chamadas de voz.


Entretenimento, e funcionalidades práticas, é também o que resulta da parceria com a Google, que está presente nos dois ecrãs de 14,3”
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Entretenimento, e funcionalidades práticas, é também o que resulta da parceria com a Google, que está presente nos dois ecrãs de 14,3”. Além do Maps, do Assistant e da Play Store temos já disponíveis na ponta do dedo uma série de aplicações muito úteis para distrair os mais novos. Os mais crescidos apreciarão a possibilidade de encontrar já os postos de carregamento efectivamente disponíveis nas rotas seleccionadas, tudo articulado com a temperatura das baterias, que podem ser prévia e automaticamente aquecidas ou arrefecidas para um carregamento mais eficiente.Outra funcionalidade interessante do Leaf é o V2L (vehicle to load) que permite usar o carro como uma powerbank, muito útil, por exemplo, para carregar pequenos electrodomésticos no campismo. Mais adiante, o Leaf também estará disponível para o V2G (vehicle to grid), um sistema de fluxos bidireccionais que permite que o carro estacionado também possa fornecer energia à casa — até certo ponto, sem esgotar a bateria —, para se recarregar a horas em que a tarifa eléctrica seja mais barata.

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