PS, Chega e PCP pedem “responsabilidades políticas” após relatório de Elevador da Glória
PCP, PS e Chega exigem responsabilidades políticas pelo descarrilamento do elevador da Glória, que a 3 de Setembro causou 16 mortos e 22 feridos. O relatório preliminar do GPIAAF (Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários), divulgado nesta segunda-feira, 20 de Outubro, revela que o cabo de tracção “não estava certificado para transporte de pessoas” e expõe falhas graves na manutenção, um sistema de travagem sem testes desde 1914 e a ausência de supervisão da segurança por parte do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).Em declarações à TSF, Alexandra Leitão, vereadora eleita para a Câmara de Lisboa, considera que as falhas identificadas são “graves” e insiste na demissão do presidente do conselho de administração da Carris, defendendo que “tem de haver uma consequência imediata na empresa”.Leitão não pede demissão de Moedas“O presidente do conselho de administração da Carris não tem condições para continuar no cargo, há uma quebra absolutamente inultrapassável de confiança”, afirma a socialista, sublinhando que “o que faz cair uma ponte ou haver um acidente num equipamento nunca é uma coisa política, é sempre uma coisa técnica, mecânica, tecnológica, química”.
Mas, acrescenta, “o conjunto de negligências e descuidos que levaram a essa falha técnica exige uma responsabilidade política também”. Leitão ressalva que não pede a demissão de Carlos Moedas, mas considera inevitável que haja consequências políticas.“O descuido e a negligência patentes neste relatório exigem que, ao mais alto nível, sejam tiradas consequências. É importante que fiquem a saber que, enquanto líder da oposição na Câmara Municipal de Lisboa, tudo farei para que estas situações sejam ainda mais esclarecidas e tenham as consequências devidas. Não é mandar embora um dirigente intermédio e considerar que as questões estão resolvidas. O passa-culpas a que assistimos é degradante, até me envergonha.”Também Bruno Mascarenhas, vereador eleito do Chega, classifica o relatório como “arrasador”. “Naturalmente que um relatório destes nunca poderia apontar falhas políticas. Agora, é preciso perceber que tem de se deduzir um conjunto de responsabilidades políticas, porque o relatório é arrasador”, diz à TSF.Já o vereador comunista, João Ferreira, sublinha que cabe ao presidente da Câmara de Lisboa garantir que as recomendações do GPIAAF são cumpridas, lembrando que a autarquia tutela a Carris. “É uma responsabilidade do presidente da câmara, que tutela a empresa, garantir que estas recomendações são efectivamente implementadas. Há uma responsabilidade também perante o que está para trás, que é explicar porque é que elas não tinham sido até agora implementadas”, afirma o eleito do PCP, frisando que as desconformidades apontadas pelo relatório “são graves”.










