CIÊNCIA

Carlos Moedas não vai reconduzir administração da Carris liderada por Pedro Bogas

O presidente da Câmara de Lisboa terá decidido pela não recondução do actual conselho de administração da Carris, liderado por Pedro Bogas, na sequência do relatório preliminar às causas do acidente do Elevador da Glória, feito pelo GPIAAF (Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários) e publicado ao final da tarde desta segunda-feira. A notícia foi avançada, ao início da noite desta terça-feira, pela SIC, citando fonte do gabinete de Carlos Moedas.Ao canal, a mesma fonte refere que o autarca considera “bastante graves o conjunto de falhas técnicas detectadas ao longo de vários anos e processos que envolvem, essencialmente, as duas últimas administrações”. Em consequência, explica, Moedas “não irá reconduzir a actual administração da Carris e assume a preocupação de querer recuperar o mais depressa possível a confiança e credibilidade da empresa”.A decisão de não reconduzir Pedro Bogas na liderança da empresa municipal de transportes surge após as muitas críticas feitas ao desempenho da actual administração, na sequência do acidente que vitimou 16 pessoas e feriu 22. O relatório preliminar do GPIAAF veio adensar as dúvidas sobre a forma como a liderança da companhia lidou com o caso, pondo em evidência fragilidades em áreas críticas como a manutenção do elevador, a compra do cabo e as garantias de segurança do equipamento.Entre as principais conclusões do relatório preliminar estava a de que o cabo utilizado “não estava certificado para utilização em instalações para transporte de pessoas”, mas que, apesar disso, a empresa não tomou providências para averiguar da sua adequabilidade à função. Além disso, o documento refere também que o sistema de frenagem nunca terá sido testado pela empresa.


Poucos instantes depois da publicação do relatório, a administração da empresa reagia através de comunicado, alegando desconhecer muitas das falhas apontadas, incluindo o incumprimento na manutenção por parte da empresa contratada para o efeito, a MNTC. Além disso, alegava, o processo do referido cabo teria sido uma decisão da anterior administração, processo pelo qual não poderia, por isso, ser responsabilizada.A administração de Pedro Bogas argumentou que as falhas apontadas no relatório redigido pelo GPIAAF nunca foram reportadas pela direcção de manutenção do modo eléctrico nem pelo gestor do contrato, que tinham reiterado a sua confiança no desempenho desta empresa, mesmo após o acidente. Em todo o caso, explicava, estaria a ser “apuradas as respectivas responsabilidades, sendo que o director de manutenção do modo eléctrico foi, entretanto, demitido”.Ao longo desta terça-feira, a oposição camarária, nomeadamente PS, PCP, Bloco e Chega exigiram responsabilidades políticas a Carlos Moedas, com Alexandra Leitão, vereadora eleita para a Câmara de Lisboa, a insistir na demissão do presidente do conselho de administração da Carris.O PÚBLICO questionou a Câmara de Lisboa sobre esta informação, não tendo ainda obtido a confirmação. A nomeação de Bogas para o cargo havia sido aprovada pela vereação, em 23 Maio de 2022.

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