Cotrim Figueiredo duvida da eficácia da proibição da burqa, mas teria votado a favor
O candidato presidencial João Cotrim Figueiredo afirmou esta sexta-feira, 17 de Outubro, que teria votado a favor da proibição da burqa em espaços públicos, apesar de considerar a lei de difícil aplicação prática. “Se estivesse no Parlamento português teria votado a favor, mas com grandes dúvidas sobre a real eficácia de uma lei que é difícil de implementar”, afirmou João Cotrim de Figueiredo, referindo-se à aprovação na generalidade do projecto de lei do Chega que visa proibir a utilização de burqa em espaços públicos.O voto favorável, sublinhou, aconteceria apesar de “nunca ignorar que há aqui um elemento que não pode ser de ingenuidade política”. Ou seja, explicou, “quando o proponente faz esta proposta, não está provavelmente preocupado com os direitos das mulheres, nem com as opressões sobre mulheres, está preocupado com determinadas etnias e determinadas religiões que são mais afectadas por esta legislação”.”Uma civilização como a nossa não pode permitir que haja símbolos de opressão na rua e que haja problemas de segurança relacionados com isso”, disse Cotrim de Figueiredo aos jornalistas, no Festival Literário Internacional de Óbidos, sublinhando que concorda com as “excepções que são previstas na lei”, nomeadamente, o uso de véu ” em lugares de culto, quando estamos em problemas sanitários, quando há motivos profissionais ou de representação”.Questionado sobre se o projecto-lei põem em causa a liberdade religiosa o candidato presidencial considerou que, lembrando que no país “impedimos muitas outras coisas que são de origem religiosa”, entre as quais “a mutilação genital feminina”. Reafirmando que a proibição do uso da burqa não o choca, o que o choca “é que isso seja feito por falsos pretextos”, vincou.Movimento de “passistas” que apoia Seguro? Cotrim rejeitaTambém esta sexta-feira, João Cotrim de Figueiredo rejeitou que exista “um movimento de passistas”, considerando que quem se revê no “espírito reformista do PSD de Passos Coelho” não se identifica com António José Seguro ou Marquesa Mendes. Reagindo a uma notícia do Expresso sobre a possibilidade de o candidato à presidência António José Seguro ser apoiado por um grupo de apoiantes de Passos Coelho, João Cotrim de Figueiredo disse hoje não saber “onde é que o Expresso vai transformar três pessoas em passistas”, considerando que “não há movimento de passistas”.Referindo-se a Vasco Rato, Jorge Marrão e Gomes Sanches, que segundo o semanário integram o grupo que poderá apoiar António José Seguro, Cotrim de Figueiredo afirmou que se os três são “passistas”, então ele próprio e “centenas de milhares de portugueses serão tão passistas como aqueles três”.”Veremos em quem é que as pessoas que se revêem naquilo que era um espírito reformista de um PSD de Passos Coelho, que, entretanto, se perdeu”, acrescentou, sustentando não acreditar que esse eleitorado considere “Marques Mendes, e muito menos António José Seguro”, bons candidatos presidenciais.Sobre um eventual apoio de Passos Coelho à sua candidatura, afirmou: “Esse tipo de apoios não se procuram, aceitam-se quando as pessoas livremente decidem dar, quando acham que o que está em causa, neste caso a eleição presidencial, é suficientemente importante para virem a jogo e darem esse apoio”.










