Direita ou esquerda: qual lado aparece mais entre os livros mais vendidos após as eleições?

As eleições de 2026 movimentaram o cenário político no Brasil e nos Estados Unidos. Por aqui, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para um quarto mandato, após uma disputa acirrada com Flávio Bolsonaro (PL). Já nos Estados Unidos, as eleições de meio de mandato, realizadas em 3 de novembro, representaram uma derrota para o presidente Donald Trump: os democratas conquistaram a maioria na Câmara e no Senado, encerrando o controle republicano do Congresso. Nesse contexto, os acontecimentos da política mundial também encontram reflexo nas prateleiras das livrarias.
Na lista de livros mais vendidos da VEJA de 5 de novembro, títulos sobre lideranças, movimentos e correntes do pensamento político revelam uma presença maior de obras associadas à esquerda. Entre os nove livros selecionados em Não Ficção, seis se relacionam diretamente a esse viés ideológico: O Pobre de Direita, Lula, Volume 2, Janonismo Cultural, O Manifesto Comunista, A Elite do Atraso e Raízes do Brasil.

Embora abordem assuntos distintos, os títulos trazem em comum o interesse por questões sociais, econômicas e políticas que atravessam o debate público brasileiro. As obras passam pela desigualdade e pela estrutura de classes, pela formação histórica do país, pelo pensamento comunista e pela trajetória de Lula. A presença de livros tão diferentes dentro de um mesmo grupo também mostra que o interesse editorial pela esquerda vai além de uma liderança específica ou de um único partido.
Do outro lado, Trump: A Arte da Negociação, escrito por Donald Trump em parceria com Tony Schwartz, é o único título da seleção diretamente associado a uma figura da direita. Publicado originalmente em 1987, o livro apresenta as estratégias empresariais do republicano e sua trajetória no mundo dos negócios. A presença do livro coincide com um momento de desgaste político de Trump, após a derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato.

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A divisão fica menos evidente quando entram em cena O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, e Como as Democracias Morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt. O primeiro, escrito no século XVI, continua sendo uma referência para discussões sobre poder, autoridade e manutenção dos governos. O segundo examina como instituições democráticas podem se enfraquecer por dentro, tema que ganhou espaço em debates políticos de diferentes países e pode ser mobilizado por leitores de distintas orientações ideológicas.
A presença desses títulos no ranking não significa, necessariamente, que seus leitores compartilhem das ideias ou posições políticas apresentadas. O interesse por uma obra sobre Trump, Lula ou o comunismo pode partir de diferentes motivações, que vão da identificação ideológica à curiosidade sobre personagens e movimentos que marcam o debate público.

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