86O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu hoje, na cidade da Beira, maiorarticulação entre os diferentes actores da acção humanitária e o cumprimento dos compromissos assumidos para apoiar areconstrução das comunidades afectadas por calamidades, sublinhando que a resposta aos desafios humanitários deve traduzir a solidariedade em resultados concretos para as populações.O Chefe do Estado falava na abertura do I Congresso Internacional de Acção Humanitária e Cooperação (CIAHC-2026), iniciativa daUniversidade Licungo em parceria com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), que decorre na cidade da Beira em simultâneo com a Conferência Internacional sobre Redução de Desastres e Resiliência em África, em Maputo.O Presidente Chapo apontou a experiência deMoçambique na resposta às calamidades, destacando que a localização geográfica do país o torna particularmente vulnerável a ciclones, cheias, inundações e secas, situação agravada pelas alterações climáticas.Referiu, em particular, o impacto do ciclone Idai, que deixou marcas profundas na cidade da Beira e nas comunidades afectadas.Neste contexto, lembrou que, na Conferência Internacional de Doadores realizada na Beira em 2019, na sequência dos ciclones Idai e Kenneth, foram anunciados compromissos de cerca de 3,2 mil milhões de dólares norte-americanos, para a reconstrução da cidade da Beira e da província de Sofala.Contudo, decorridos mais de sete anos, apenas cerca de um terço desse valor foi desembolsado.O Presidente da República observou que parte significativa dos recursos desembolsados foi canalizada através de organizações não-governamentais, sem mecanismos suficientemente articulados de informação e coordenação com o Governo, defendendo que oCongresso contribua para o reforço da confiança entre os diferentes actores e para a definição de melhores mecanismos de cooperação.Perante os riscos associados aos fenómenos extremos, o Chefe do Estado defendeu o reforço dos sistemas de aviso prévio, a preparação das comunidades, a melhoria do ordenamentoterritorial e o investimento em infra-estruturas resilientes, bem como o desenvolvimento de capacidades institucionais para anteciparriscos e coordenar intervenções antes, durante e depois das calamidades.O Chefe do Executivo destacou igualmente a importância dos Comités Locais de Gestão do Risco de Desastres na redução dos efeitosdas calamidades junto das populações.