Cirurgia para remover tumor no cérebro é feita com auxílio de IA pela primeira vez

Uma cirurgia cerebral foi realizada com auxílio de inteligência artificial pela primeira vez no mundo. A operação aconteceu no Hospital Nacional de Neurologia e Neurocirurgia de Londres, que faz parte do University College London Hospital (UCLH), em maio, mas os resultados só foram divulgados nesta semana, após várias semanas de recuperação do paciente.
Em comunicado publicado no site da instituição, a UCLH informou que o procedimento removeu um tumor cerebral com sucesso e preservou a visão de Rhys Hibbert, de 48 anos, considerado o primeiro paciente a ser submetido a uma cirurgia realizada dessa forma. O morador de Bedfordshire, no Reino Unido, tinha um tumor na hipófise, pequena glândula do tamanho de uma ervilha localizada na base do cérebro.

A operação fez parte de um ensaio clínico financiado pelo Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Assistência (NIHR), principal agência do governo do Reino Unido responsável por financiar e realizar pesquisas clínicas. O ministro da Inovação em Saúde do Reino Unido, James Frith, afirmou que o procedimento deve abrir o caminho para novos tratamentos com auxílio de IA no país.
“A IA precisa de salvaguardas adequadas e sempre garantiremos que a segurança seja levada a sério. Mas também garantiremos que nos beneficiemos das oportunidades que ela traz para oferecer cuidados mais rápidos e eficazes“, afirmou Frith à UCLH.

Continua após a publicidade

Como foi feita a cirurgia
Hibbert foi diagnosticado com o tumor em dezembro de 2024, depois de desmaiar durante uma caminhada e sofrer uma convulsão. Após uma bateria de exames médicos, foi identificada a presença de um tumor de onze milímetros em sua glândula pituitária, como a hipófise também é conhecida.
O quadro foi inicialmente tratado sem cirurgia, mas os sintomas pioraram com o tempo, incluindo grave desequilíbrio hormonal e problemas de visão. O morador de Bedfordshire começou a usar bengalas, porque não conseguia enxergar a parte inferior de seu campo de visão. Segundo a UCLH, se ele não fizesse a cirurgia, o tumor continuaria a ameaçar sua visão e poderia levar à cegueira.
Durante a operação, uma ferramenta de IA desenvolvida pela insitutição analisou as imagens da cirurgia em tempo real, destacando aos neurocirurgiões estruturas críticas na base do cérebro que não podiam ser visualizadas.

Continua após a publicidade

A glândula pituitária, os vasos sanguíneos e os nervos que controlam a visão estão muito próximos uns dos outros, e um erro de um milímetro pode ser crucial e levar à morte, cegueira ou acidente vascular cerebral (AVC). Por isso, a IA foi desenvolvida para identificar áreas de risco a serem evitadas, enquanto os cirurgiões removiam o máximo de tumor possível com segurança.
A ferramenta foi desenvolvida no Instituto UCL Hawkes, um grupo de pesquisa multidisciplinar focado no avanço de tecnologias para a área da saúde. Os pesquisadores treinaram e avaliaram o sistema usando um grande banco de dados de vídeos de cirurgias endoscópicas da hipófise realizadas anteriormente.

Continua após a publicidade

A tecnologia já havia sido avaliada e utilizada como ferramenta de treinamento para cirurgiões que realizam esse procedimento. Segundo os pesquisadores, ao aprender com centenas de vídeos cirúrgicos, o sistema foi exposto a uma ampla gama de exemplos cirúrgicos que um cirurgião levaria muitos anos para vivenciar.
Além disso, ele também foi projetado para ajudar a reconhecer anatomia crítica, instrumentos cirúrgicos e interações entre tecidos em tempo real, auxiliando o cirurgião durante “procedimentos extremamente delicados”.

Continua após a publicidade

Segundo a instituição, o paciente afirmou que, ao acordar da cirurgia, sua visão havia melhorado drasticamente. Em uma semana, ele já caminhava sozinho, sem óculos ou bengalas. Hibbert está se recuperando em casa, gradualmente recuperando suas forças e aumentando a duração de suas caminhadas diárias. Ele espera que sua participação na pesquisa contribua para futuros avanços.
“Se os pacientes não estiverem dispostos a participar de pesquisas, como os médicos poderão aprender e como a medicina poderá progredir? Para mim, essa é uma parte realmente importante e vital do trabalho realizado por esses hospitais de referência”, disse ele ao site da UCLH. O estudo também foi patrocinado pelo Google.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *