SAÚDE E BEM ESTAR

Camila Queiroz diz que congelou células-tronco da filha, mas técnica não é ‘seguro de vida’; entenda

A atriz Camila Queiroz contou que decidiu armazenar as células-tronco de sua filha, Clara, fruto do casamento com Klebber Toledo. Em uma publicação nos Stories do Instagram, a artista afirmou que a coleta do material aconteceu no momento do parto e que a decisão foi motivada, principalmente, pelo futuro da criança. “Para nós, foi uma escolha muito consciente, muito pensada e pensando principalmente no futuro da Clara”, disse.
As células-tronco do sangue do cordão umbilical e da placenta são usadas principalmente em transplantes para tratar doenças hematológicas, como leucemias, linfomas e outras alterações da medula óssea. Ter esse material armazenado em um banco privado, porém, não é uma espécie de seguro de vida para os filhos, como explica uma cartilha sobre o tema lançada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2020.

O motivo é que a probabilidade de uma criança precisar das próprias células-tronco é extremamente baixa. De acordo com a agência, em famílias sem fatores de risco conhecidos, essa chance varia entre 0,04% e 0,0005% nos primeiros 20 anos de vida.
Além disso, em algumas doenças genéticas e em certos tipos de leucemia infantil, não é indicado usar células do próprio paciente, já que elas podem carregar a mesma alteração genética que causou a doença.

O que diz cartilha da Anvisa
Os dados brasileiros reforçam esse cenário. Entre 2003 e 2018, por exemplo, mais de 144 mil unidades de sangue de cordão foram armazenadas em bancos privados no país, mas apenas seis foram utilizadas em transplantes da própria pessoa (autólogos) e dez em transplantes para parentes compatíveis.

Continua após a publicidade

A Anvisa ressalta ainda que ter as células armazenadas não garante acesso ao tratamento mais adequado quando ele for necessário, assim como não armazená-las não significa ficar excluído de futuras terapias celulares.
Isso porque, atualmente, a maior parte dos transplantes utiliza células provenientes de doadores compatíveis cadastrados em bancos públicos, e muitas das pesquisas em medicina regenerativa são realizadas com células-tronco obtidas de outras fontes, como a medula óssea e o sangue periférico.
O potencial das células do cordão para tratar doenças como Alzheimer, Parkinson, lesão medular ou doenças cardíacas ainda é considerado promissor, mas permanece em investigação científica e não há evidências de que esses tratamentos venham a se tornar realidade clínica.

Continua após a publicidade

A cartilha orienta ainda que a decisão de armazenar ou doar o sangue do cordão deve ser tomada com base em orientação médica e em informações científicas, e não apenas na expectativa de um benefício futuro.
Antes de contratar um banco privado, os pais devem esclarecer dúvidas sobre as reais indicações terapêuticas, as limitações atuais do armazenamento, o tempo de preservação das células, a quantidade de material coletado e as responsabilidades da empresa caso o material venha a ser utilizado. A agência também recomenda verificar se o estabelecimento possui licença sanitária vigente e segue as normas técnicas para coleta, processamento e armazenamento das células-tronco.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.