Os “milagres” do remédio de lua
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TEXTO DE NEYMA DE JESUS
É conhecido como “remédio de lua”; uma mistura de plantas medicinais administrada aos bebés, pouco depois do nascimento ou passados alguns meses de vida. A prática é típica da zona Sul de Moçambique e, desde os tempos mais antigos, passada de geração em geração.
Tradicionalmente, nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, este remédio é indispensável para o crescimento eficaz e combate a doenças como a epilepsia, asma, bem como para a regulação do cérebro da criança.
O pressuposto é de que – quando a lua é nova – paralelamente, o corpo da criança torna-se num campo fértil e vulnerável a doenças. No quarto crescente, com a medicação em dia, não há possibilidade de risco, contrariamente à fase da lua cheia: “se a criança não estiver protegida (com o remédio de lua), pode ter convulsões, vómitos e diarreias”, conforme indicam alguns membros da sociedade.
Entre aqueles que cresceram sob esta tradição está Sónia Maria Gomes, mãe de três filhos e avó de sete netos. Ela e seus 12 irmãos tomaram o “remédio de lua” na infância, por isso, na fase adulta, cuidadosamente, encarregou-se de garantir o tratamento aos seus filhos e netos.
Fiel à tradição, explica: “como diz a lenda, tomar este medicamento evita a epilepsia e muitas outras doenças. Os nossos antepassados sempre fizeram isso, eu segui o mesmo caminho e passei essa mensagem para as minhas noras e a nova geração. Leia mais…









