É tudo a ajeitar, a começar por onde encostar a cabeça
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TEXTO DE LUÍSA JORGE E GENÉZIA GERMANO
Mais de mil cidadãos malawianos residentes na África do Sul, que foram repatriados, desembarcaram no Terminal Interprovíncial da Junta e foram recebidos pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), entre quarta-feira e a última sexta-feira. Destes, 774 foram transportados pelo Governo mocambicano até à fronteira de Zóbwe, em Tete.
O cenário que se vive no Terminal Inter-provincial da Junta, na cidade de Maputo, é apenas o resquício da fúria que se alimenta contra os estrangeiros de pele negra do outro lado das várias fronteiras moçambicanas com a África do Sul. Mas uma coisa ficou clara nas vítimas: o que os olhos viram e a “carne” sentiu fê-los activar o instinto de sobrevivência de tal forma que as condições pouco dignas em que vivem naquele terminal de autocarros – saturado de gente, sem higiene e com privação de sono – já pouco os afectam. Ali é tudo a ajeitar!
domingo viu o pôr do sol e o nascer da noite a partir do recinto do terminal da Junta. E, no período nocturno, a realidade que ali se vive carrega suas particularidades em relação à dinâmica diurna. A noite torna-se relativamente calma e mais introspectiva para algumas vítimas de xenofobia que ali se encontram de passagem. Apesar das penumbras em muitos deles, denota-se um semblante fustigado pelo cansaço. O movimento agitado de comerciantes e o ruído de motores de autocarros intercalados com sons estrondosos de música vinda de alguns aparelhos nas mãos dos vendedores ecoam mais de noite, forçando gente cansada a uma dura rotina de vigília. Mas, quando o organismo atinge o limite de resistência, o resultado é aquele que os fotojornalistas do domingo captaram: corpos pendurados por cima das trouxas e no soalho do recinto, totalmente desligados do “mundo” agitado temporariamente ali presente.
resente. Enquanto isso, no mesmo local, as diferentes equipas de assistência humanitária desdobram-se em fazer o encontro de dados apurados para relatórios do dia. Os agentes da lei e ordem, por sua vez, redobram a atenção para garantir a segurança.
Para quem conseguiu o lugar no banco do autocarro que parte à noite ou na madrugada, este é o momento indicado para organizar as trouxas no porta-malas.
No canto esquerdo do pátio, Yassin Yossouf, de nacionalidade malawiana, engrossa a fila de um dos autocarros providenciados pelo Governo para transportar as vítimas de xenofobia até à fronteira de Zóbwe, na província de Tete. Leia mais…








