SAÚDE E BEM ESTAR

A ascensão do microagulhamento líquido, segredo coreano para a pele

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O microagulhamento líquido, inovação sul-coreana, está revolucionando o skincare globalmente. Utilizando espículas de esponjas marinhas em séruns, ele oferece os benefícios de rejuvenescimento da pele, ativando a produção de colágeno, de forma menos agressiva que o método tradicional. A tendência impulsionou as buscas em 535% e promete uma pele mais viçosa e uniforme, mas requer orientação.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A ideia de revigorar a pele do rosto por meio de intervenções variadas é uma fixação que vem de tempos remotos. Os egípcios recorriam à pedra-­pomes. Os polinésios, a conchas marinhas trituradas. Açúcar, areia e até borra de café já foram utilizadas como esfoliantes ao longo dos séculos. Até que, na década de 1990, o cirurgião sul-africano Desmond Fernandes desenvolveu uma proposta mais ousada. Nascia, com ele, o método do microagulhamento, um procedimento de perfuração da pele com agulhas milimétricas que caiu no gosto de médicos e pacientes. Mas a inovação tinha um preço: o desgaste excruciante imposto ao paciente. Eis que os sul-coreanos resolveram entrar no jogo. Eles apresentaram, nos últimos anos, o microagulhamento líquido, uma intervenção que procurava ser menos agressiva e tão eficaz quanto a original. A tendência bombou, como quase tudo que vem do país asiático nessa área. De 2025 para 2026, as buscas pelo procedimento na internet decolaram mais de 500% pelo planeta. É um fenômeno.
O princípio do microagulhamento líquido é parecido com o do original (veja o quadro). Na versão tradicional, feita em clínicas, agulhas são incrustadas na pele com um equipamento, produzindo múltiplas lesões controladas. O processo de recuperação ocorre em meio a uma cascata de cicatrização, que ativa a fabricação interna de colágeno, proteína que dá elasticidade e sustentação à pele — e que perdemos ao envelhecer. Esse é o segredo. Mas não é indolor. A depender do objetivo, o tamanho das agulhas muda, oscilando entre 0,25mm e 2,5mm, assim como a necessidade e a quantidade de anestesia. Nem todo mundo está disposto a encarar o procedimento.

A sacada dos sul-coreanos foi criar um sérum especial que já vem com espículas. Elas são provenientes de esponjas marinhas e, a exemplo das agulhas, também agem gerando um trauma cutâneo. Mas, mesmo que se lesione de propósito o rosto, as “espetadas” são bem mais sutis. Como os resultados satisfazem os clientes em pouco tempo, o microagulhamento líquido ganhou o mundo, impulsionado pelas redes sociais e pelo desejo universal de buscar a pele perfeita.
Os números do Google, analisados pela empresa de serviços de beleza Fresha, não negam: a procura por liquid microneedling, como a tendência de skincare é conhecida lá afora, cresceu 535% em um ano e, somente no último mês, foram 38 000 pesquisas realizadas. “As pessoas são atraídas por transformações que conseguem ver rapidamente, mesmo quando esses resultados são temporários”, diz Danielle Louise, especialista em cabelo e beleza da Fresha.

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DIVERSIDADE - Marcas de séruns com o novo método: o preço varia de 70 a mais de 400 reais o frasco (Fotos/Divulgação)

De cosméticos comprados em lojas ou na internet a protocolos aplicados exclusivamente em clínicas, os principais benefícios relatados são uma pele mais viçosa, com a aparência suavizada dos poros e brilho na medida. “Essa tecnologia permitiu refinar o microagulhamento”, afirma a médica Ligia Novais, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Na prática, os séruns oferecem renovação cutânea com melhora da textura, metas ambicionadas em diversas faixas etárias. A prescrição é semelhante à do microagulhamento tradicional, e inclui irregularidades, aspereza, poros dilatados. Mas há contraindicações. “Não recomendamos em casos de acne ativa, rosácea em crise ou episódios de ferida, inflamação ou sensibilidade na pele”, diz Novais. Após o uso, deve-se evitar a exposição ao sol e a produtos ácidos por quinze dias.
A novidade, claro, não aposenta o microagulhamento tradicional, feito exclusivamente por dermatologistas, com indicações que vão além da estética, como suavização de cicatrizes e quadros de queda acentuada de cabelo. Tanto essa modalidade como aquela realizada em casa, por meio dos cremes com espículas, pedem orientação de um especialista para se usar o produto certo, do jeito certo e na hora certa. Até porque o preço dos séruns é elástico: a depender da marca, vai da casa das dezenas à das centenas de reais. O que ninguém nega é que, com o microagulhamento líquido, a estética sul-coreana chegou ao topo, e agora embala em pequenos frascos o velho sonho de uma pele bonita e jovial.
Publicado em VEJA de 3 de julho de 2026, edição nº 3002

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