Banho de sol: o hábito simples que pode ajudar a reduzir risco de demência
O sol pode ser um aliado subestimado da saúde do cérebro. Um estudo recém-publicado na revista científica General Psychiatry sugere que uma maior exposição à luz do dia está associada a um menor risco de desenvolver demência.
Segundo os pesquisadores, pessoas expostas a níveis médios acima de 1.000 lux tiveram um risco 16% menor de desenvolver a doença em comparação com aquelas expostas a menos de 1.000 lux, o equivalente ao brilho de um dia nublado ao ar livre. A exposição à luz do dia também ajudou a prever melhor quem teria demência do que alguns fatores de risco já conhecidos, como obesidade e perda auditiva.
A pesquisa, conduzida por cientistas do Hospital Cerebral Afiliado da Universidade Médica de Guangzhou, na China, analisou dados de 87.577 participantes do UK Biobank, um grande banco de dados de saúde do Reino Unido. Os voluntários, com idade média de 62 anos, não tinham demência no início do estudo e foram acompanhados por cerca de oito anos. Nesse período, 741 desenvolveram a doença.
Os participantes usaram um dispositivo que tinha um sensor de luz integrado capaz de medir a exposição à luz diurna e noturna, tanto em ambientes internos quanto externos, durante 7 dias.
Esses dados permitiram que os pesquisadores comparassem os níveis médios de luz diurna acima e abaixo de 1000 lux. Eles também avaliaram a quantidade de tempo de exposição à luz mais intensa.
O que eles descobriram
Os resultados mostram uma associação entre exposição à luz do dia e menor risco de demência. O risco foi:
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16% menor de demência entre os participantes expostos, em média, a mais de 1.000 lux de luz durante o dia, em comparação com aqueles expostos a níveis inferiores;
17% menor entre quem permaneceu por mais de 42 minutos diários exposto a uma intensidade de 5.000 lux (equivalente à sombra em um dia ensolarado) ou mais.
Além disso, a associação foi ainda mais forte em alguns grupos de maior risco:
de 30% a 38% entre pessoas com maior exposição à luz durante a noite;
de 31% a 41% entre indivíduos com cronotipo vespertino (que costumam dormir e acordar mais tarde);
de 19% a 27% entre portadores do alelo APOE ε4, uma variante genética associada a um maior risco de desenvolver Alzheimer.
O estudo sugere que garantir uma exposição à luz diurna mais intensa (igual ou maior que 1000 lux) pode ser um meio simples de prevenir a demência, especialmente nos grupos de alto risco.
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“Isso é particularmente relevante, visto que as pessoas na sociedade moderna passam quase 90% do dia em ambientes fechados sob iluminação artificial, que normalmente fornece brilho insuficiente (300–500 lux) durante o dia”, escreveram os pesquisadores no estudo.
Além do álcool e da perda auditiva
Os pesquisadores também compararam a exposição à luz do dia com outros fatores já conhecidos por aumentar o risco de demência.
Eles concluíram que passar menos de 42 minutos por dia em um ambiente com luz intensa (pelo menos 5.000 lux) foi um sinal mais forte de risco para a doença do que seis fatores de risco tradicionais: consumo de álcool, obesidade, perda auditiva, poluição do ar, uso de suplemento de vitamina D e lesão cerebral traumática.
Quais os benefícios da luz do dia para o cérebro?
Diversos mecanismos podem ajudar a explicar por que a maior exposição à luz do dia pode ajudar a prevenir a demência.
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Já se sabe que alterações no ritmo circadiano — o “relógio biológico” do organismo — estão ligadas a um maior risco de doenças neurodegenerativas, incluindo a demência. A luz do dia pode ajudar a regular esse relógio interno, reduzindo esses distúrbios e aumentando a produção noturna de melatonina, hormônio ligado ao sono.
Segundo os pesquisadores, análises exploratórias levantaram a hipótese de que melhorias no ritmo circadiano podem estar por trás desse efeito protetor.
Isso porque a demência leva à redução do volume em várias regiões do cérebro e a exposição adequada à luz do dia pode estar relacionada a menores alterações nessas áreas, incluindo regiões ligadas à memória. Essas associações, porém, ainda precisam ser confirmadas em novos estudos.
Cuidados ao tomar sol
Os próprios pesquisadores destacam algumas limitações do estudo. Os participantes do UK Biobank tendem a ser mais saudáveis do que a população em geral, o que pode limitar a generalização dos resultados para outros grupos com diferentes condições de saúde e estilos de vida.
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Além disso, a exposição à luz foi medida por sensores usados no pulso, e não diretamente nos olhos, onde a luz exerce seus principais efeitos sobre o relógio biológico e a saúde. Os achados, porém, são relevantes e sugerem que a exposição à luz durante o dia pode desempenhar um papel importante na saúde do cérebro.
Vale lembrar, no entanto, que a exposição à luz do dia não deve ser confundida com exposição prolongada ao sol sem proteção. Aproveitar a luz natural ao longo do dia pode ser uma estratégia simples e potencialmente benéfica.
Uma ideia é passar mais tempo ao ar livre durante o dia, especialmente em ambientes com luz natural intensa (mesmo em dias nublados) e tentar manter uma rotina regular de sono e vigília, com exposição à luz natural pela manhã. Se for tomar sol, vale lembrar:
Evite o horário das 10h às 16h (a incidência solar é maior nesse período);
Use sempre protetor solar, mesmo que o dia esteja nublado;
Não se esqueça do chapéu ou boné, óculos de sol e de procurar uma área com sombra, principalmente se você tem a pele mais sensível.










