Café ganha aplauso da ciência e agora mostra seu valor contra o Alzheimer
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O café, antes visto com desconfiança, agora é aplaudido pela ciência. Um estudo de Harvard revela que o consumo regular da bebida reduz em 18% o risco de Alzheimer. Além da cafeína, seus antioxidantes protegem neurônios e combatem outras doenças, consolidando seu papel benéfico na dieta.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Durante décadas, os alimentos foram divididos de uma forma bastante maniqueísta: era estar no grupo dos heróis ou dos vilões. Por vezes, embalado em alguma descoberta, um ingrediente podia até mudar de lado, como ocorreu com o ovo, que de inimigo mortal virou queridinho da dieta. Mas a ciência da nutrição vem mostrando que a dinâmica não funciona bem assim. Não existem anjos ou demônios à mesa: existe dieta equilibrada ou não. E é nesse contexto que uma figura que outrora gerava desconfiança passou a ser reabilitada. Se um dia o café foi acusado de roubar o sono e afligir o coração, hoje se sabe que seus efeitos podem ser extremamente bem-vindos — e não apenas por fornecer energia depois do almoço.
A bebida começou a ganhar a atenção dos sábios ainda no século IX, a partir da observação de um pastor sobre o comportamento animado de suas cabras após o consumo das folhas do arbusto que produz o grão, nativo da atual Etiópia. De lá ganhou o mundo. E hoje é, ao lado da água e do chá, uma das bebidas mais consumidas pela nossa espécie. Tal popularidade ajuda os cientistas a averiguar seus possíveis impactos no organismo por meio de dados robustos. E o melhor exemplo disso é um estudo recém-publicado pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, que se baseia em 131 800 pessoas acompanhadas por quarenta anos. A conclusão é um convite ao cafezinho: a ingestão rotineira foi associada a menor risco de desenvolver Alzheimer.
Durante a pesquisa, pouco mais de 11 000 indivíduos foram diagnosticados com a demência, e suas informações sobre saúde e hábitos foram contrastadas com as da população livre da doença. Assim os especialistas notaram que a probabilidade de encarar condições capazes de destruir os neurônios, como o Alzheimer, foi 18% menor entre aqueles que consumiam entre duas e três xícaras da bebida por dia. E o interessante é que os resultados não se espelharam com o café descafeinado.
O achado se soma a outras provas a favor do fruto do cafeeiro. Uma pesquisa chinesa, amparada em dados de quase 30 000 pessoas, descobriu que o consumo da bebida esteve associado a um risco 27% menor de sofrer com a demência. Ainda não é possível cravar que o café previne o problema, mas seus componentes teriam vocação para a preservação cerebral. “Além da cafeína, o café contém compostos que apresentam propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias”, diz a nutricionista Camille Perella Coutinho, pesquisadora do Laboratório de Tecnologia de Alimentos e Nutrição da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Essa combinação pode contribuir para reduzir processos nocivos que afetam os neurônios e conservar a função cerebral com o envelhecimento.”
E não é só o cérebro que lucra com esse hábito. Outros estudos documentam efeitos protetores contra infarto, diabetes, gordura no fígado e alguns tipos de câncer. O segredo é manter a regularidade e não abusar da dose. A recomendação é não passar de três a cinco xícaras por dia (ou 400 miligramas de cafeína) e evitar a ingestão assim que o sol se põe. É o suficiente para não perder o sono e ganhar ainda mais saúde.
Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000









