SAÚDE E BEM ESTAR

Pesquisa investiga quantos minutos de esforço diário bastam para proteger o coração; veja resultados

Ler Resumo

Um estudo no British Journal of Sports Medicine revela que curtos picos de atividade intensa no dia a dia – como subir escadas rápido – podem ter impacto gigante na saúde do coração, especialmente para mulheres. São minutos que valem muito!

Este resumo foi útil?

👍👎

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Subir escadas em vez da escada rolante, carregar compras pesadas, caminhar rápido para chegar no horário. Nada disso costuma entrar na conta quando falamos de exercício físico. Mas um novo estudo publicado no British Journal of Sports Medicine sugere que esses pequenos esforços do dia a dia, quando feitos em alta intensidade, podem ter impactos importantes na saúde do coração.
A pesquisa analisou dados de mais de 22 mil pessoas que se declaravam não praticantes de exercício físico. Todas usaram acelerômetros no pulso, capazes de identificar não apenas o quanto se movimentavam, mas também a intensidade dos movimentos. O foco foi em algo chamado de vigorous intermittent lifestyle physical activity (VILPA) ou, em bom português, atividade física vigorosa feita de forma intermitente no cotidiano, que é basicamente quando alguém realiza movimentos intensos de curta duração durante tarefas do dia a dia.

Resultados
O achado que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a dose. Entre as mulheres, apenas de 1 a 4 minutos por dia desse tipo de esforço mais intenso já se associaram a uma redução no risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e insuficiência cardíaca. Ou seja, não se trata de exercício estruturado, academia ou treino planejado. São picos curtos de esforço intenso, muitas vezes com menos de um minuto, diluídos ao longo do dia.

Na prática, a média observada no estudo foi de 3,4 minutos diários. Esse volume esteve associado a:

45% menos risco de eventos cardiovasculares maiores
51% menos risco de infarto
67% menos risco de insuficiência cardíaca

Continua após a publicidade

O que chama atenção é que, entre os homens, a resposta foi menos consistente. As associações apareceram mais fracas e, em vários desfechos, não alcançaram significância estatística. Segundo os autores, isso não significa que o esforço do dia a dia não traga benefícios para os homens, mas sugere que, para eles, o exercício estruturado ainda parece ter um papel mais claro na proteção cardiovascular.
Uma das hipóteses para explicar essa diferença está na fisiologia. Em média, mulheres têm menor capacidade cardiorrespiratória. Isso significa que uma mesma tarefa cotidiana, como subir escadas rapidamente, pode representar um esforço relativo maior para elas. Não à toa, os dados do estudo mostram que, durante esses picos de atividade intensa, as mulheres chegavam, em média, a 83% da sua capacidade máxima de consumo de oxigênio (VO₂ máximo). Entre os homens, esse esforço ficava em torno de 70%.
Para os autores, os resultados reforçam a ideia de que talvez não exista uma recomendação única de atividade física que sirva para todo mundo. Em especial, eles apontam a necessidade de diretrizes mais específicas por gênero na prevenção das doenças cardiovasculares.

Continua após a publicidade

Limitações e cautelas
Apesar dos resultados positivos, eles estão longe de transformar “três minutos por dia” em um método milagroso.
Um dos primeiros pontos é que o estudo é observacional. Ou seja, ele não prova causa e efeito, mas identifica associações, que se mantiveram mesmo após vários ajustes estatísticos e análises de sensibilidade.
Na prática, isso significa que os pesquisadores acompanharam o que aconteceu na vida real, sem interferir no comportamento dos participantes, o que permite observar padrões, mas não afirmar com certeza que um fator foi o responsável direto pelo outro. Um caminho para avançar nesse sentido seria testar intervenções planejadas, como incentivar um grupo a subir escadas rapidamente, enquanto outro mantém a rotina habitual, e acompanhar ambos ao longo do tempo.

Continua após a publicidade

Outro ponto importante é que os dados vêm do UK Biobank, uma coorte grande e bem acompanhada, mas composta majoritariamente por pessoas brancas, com maior escolaridade e melhores condições de saúde do que a média da população. Isso limita a generalização dos resultados para outros grupos, que podem ter contextos sociais e hábitos de vida diferentes, como alimentação, consumo de álcool e tabagismo, fatores que também influenciam o risco cardiovascular.
Por fim, vale destacar que o estudo não diz que o exercício físico deixou de ser importante. A Organização Mundial da Saúde (OMS), aliás, recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade física de intensidade vigorosa por semana, e isso não deve ficar de escanteio. O que os autores sugerem é que se movimentar, mesmo em atividades simples do cotidiano, como trocar o elevador pelas escadas, já pode ser um primeiro passo importante para a saúde do coração.

Compartilhe essa matéria via:

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Veja Também
Fechar
Botão Voltar ao Topo

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.