CIÊNCIA

Polícia faz buscas nos apartamentos devastados pelo fogo em Hong Kong. Número de mortos sobe para 146

As autoridades de Hong Kong prosseguiram esta segunda-feira, 1 de Dezembro, com as buscas no complexo de apartamentos devastado por um violento incêndio na passada quarta-feira, que matou pelo menos 146 pessoas e desalojou centenas de outras. Pelo menos 40 pessoas continuam desaparecidas.A polícia concluiu as buscas em quatro das sete torres que foram consumidas pelo incêndio mais mortal da cidade em mais de 75 anos e encontrou corpos de moradores em escadarias e telhados, presos enquanto tentavam fugir das chamas.Milhares de pessoas têm-se reunido junto às torres para prestar homenagem às vítimas, lista da qual constam pelo menos nove empregadas domésticas da Indonésia e uma das Filipinas. No domingo, as filas estenderam-se por mais de um quilómetro ao longo de um canal próximo ao complexo habitacional Wang Fuk Court. Também estão previstas vigílias em Tóquio e Londres.A causa do incêndio que começou na quarta-feira passada e se alastrou rapidamente pela parte externa dos apartamentos em obras ainda está a ser investigada. Depois de surgirem focos de indignação pública devido a alertas de risco de incêndio ignorados e evidências de práticas de construção inseguras, Pequim advertiu que reprimirá quaisquer protestos “anti-China”.Pelo menos uma pessoa envolvida numa petição que pedia uma investigação independente, entre outras reivindicações, foi detida, disseram fontes familiarizadas com o assunto. A polícia recusou-se a comentar detalhes específicos, dizendo apenas que tomará as medidas cabíveis de acordo com a lei.As buscas por restos mortais de vítimas estão agora concentradas nos prédios mais afectados, disse Amy Lam, responsável da polícia de Hong Kong, a jornalistas no domingo, acrescentando que esta etapa final pode demorar várias semanas.Imagens divulgadas pela polícia mostram agentes vestidos com fatos de protecção, máscaras e capacetes, inspeccionando salas com paredes negras e móveis reduzidos a cinzas, e caminhando na água utilizada para apagar o incêndio, que durou vários dias.De acordo com dados mais recentes, o complexo residencial abrigava mais de 4 mil pessoas, e quem conseguiu escapar precisa agora de tentar reconstruir a vida. Mais de 1100 pessoas foram transferidas dos centros de evacuação para alojamentos temporários, e outras 680 foram alojadas em pousadas da juventude e hotéis, informaram as autoridades.Como muitos moradores deixaram os pertences para trás ao fugir, as autoridades disponibilizaram um vale de emergência de cerca de 10 mil dólares de Hong Kong (cerca de 1100 euros) a cada família e estão a fornecer assistência especial para a emissão de novos documentos de identidade, passaportes e certidões de casamento.Treze pessoas detidasO incêndio mais mortal em Hong Kong desde 1948 chocou a cidade, que vai a eleições legislativas neste fim-de-semana. As autoridades procederam à detenção de 13 pessoas por suspeita de homicídio culposo, como parte das investigações sobre possível corrupção e uso de materiais inseguros durante as obras do complexo habitacional.As autoridades acreditam que a utilização de materiais de baixa qualidade contribuiu para a violência do incêndio. O secretário-chefe Eric Chan afirmou que os empreiteiros utilizaram estes materiais em áreas de difícil acesso, escondendo-os dos inspectores.Alguns prédios estavam envoltos numa tela verde e andaimes de bambu, além de terem sido isolados com espuma que também alimentou as chamas. Os alarmes de incêndio do complexo também não estavam a funcionar correctamente, segundo as autoridades, apesar de os moradores do Wang Fuk Court terem sido informados pelas autoridades no ano passado que enfrentavam “riscos de incêndio relativamente baixos”.O Governo de Hong Kong, que prometeu reforçar a fiscalização e a supervisão de projectos para evitar que eventos semelhantes ocorram, avançou esta segunda-feira os testes a mais de 20 amostras das telas de protecção de quatro das sete torres e revelou que sete não cumpriram com os padrões de resistência ao fogo. Os habitantes do complexo já se tinham mostrado preocupados com esta questão em Setembro de 2024, incluindo sobre a potencial inflamabilidade da tela metálica utilizada pelos empreiteiros para cobrir os andaimes.Outras duas pessoas também foram detidas sob suspeita de intenção sediciosa, segundo avançou o jornal chinês South China Morning Post. A polícia recusou-se a comentar as detenções.O gabinete de segurança nacional da China alertou no sábado que se deve evitar utilizar o desastre para “mergulhar Hong Kong no caos” de 2019 outra vez, altura em que centenas de protestos pró-democracia desafiaram Pequim e desencadearam uma crise política.”Advertimos severamente os disruptores anti-China que tentam desestabilizar Hong Kong através meio de desastres”, disse o gabinete num comunicado. “Independentemente dos métodos que usem, serão responsabilizados e punidos com rigor.”


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