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Marcar, sofrer, controlar: a noite do FC Porto frente ao Estoril

O FC Porto venceu neste domingo o Estoril, por 1-0, numa partida que não vai deixar saudades. Por um lado, é um triunfo – e o triunfo está caro por estes dias na I Liga. Por outro, foi um desempenho assim-assim da equipa portista, que sofreu bastante na primeira parte, embora tenha conseguido controlar globalmente o jogo da 12.ª jornada após o intervalo.No fim de contas, o empate talvez se ajustasse melhor ao que se passou em campo, mas penaliza um Estoril que acabou por auto-sabotar-se aos oito minutos, com um erro numa saída curta. E premeia também um FC Porto que acabou por ter boas oportunidades de golo, mesmo que criadas em lances algo atabalhoados.MudançaO Estoril levou a este jogo um plano já habitual, mas com base táctica diferente. A equipa trocou o habitual 3x4x3 por um 4x3x3 que deixava o criativo Guitane como falso nove no momento defensivo e, com bola, solto para andar por onde quisesse – o avançado Begraoui defendeu pela direita e aparecia mais pelo meio em momento de ataque.Esta variabilidade trocou as voltas aos encaixes do FC Porto, sobretudo de Moura, que foi apanhado a meio caminho algumas vezes, sem saber quem tinha de marcar.Com defesa muito subida, o Estoril é a quinta equipa da I Liga que menos tempo passa no seu terço do campo, a que mais passa no terço central e a equipa que mais bolas longas permite ao adversário. E é também a equipa que mais bolas longas usa.

Estes quatro dados juntos explicam o que se passou no Dragão. Aos 5’, uma bola longa encontrou Begraoui que rematou ao lado da baliza deserta pelo adiantamento de Diogo Costa. Aos 6’, nova solicitação do mesmo tipo. E igual aos 7’, mas do lado oposto: houve golo anulado a Samu. Ambas as equipas jogavam muito futebol directo, pelo excesso de pernas na faixa central do campo.O FC Porto marcou logo a seguir, num erro de Holsgrove na saída curta do Estoril – William Gomes foi sagaz a ler a linha de passe, recuperou a bola e finalizou. Novamente a boa pressão alta da equipa de Farioli a surtir efeito, com Mora e Samu fundamentais na pressão.Guitane em acçãoApesar deste erro, Holsgrove estava a ser um foco essencial do jogo do Estoril. A ideia era o escocês baixar para ver o jogo de frente e usar o pé esquerdo muito capaz para disparar bolas longas para os colegas – nesse momento do jogo, o lateral Ricard avançava bastante, algo que expunha muito o Estoril no seu lado direito, mas que dava ainda mais presença na frente.As bolas longas voltaram a dar perigo aos 17’ (Froholdt não finalizou), aos 21’ (boa bola de Alberto para Borja) e aos 22’ (Ricard apareceu bem na frente, mas rematou por cima), além de mais uma mão-cheia de lances desse tipo, mesmo que sem perigo.O FC Porto cedia a bola ao Estoril, algo que sugeria interesse em explorar o ataque ao espaço, mas a equipa foi deixando de solicitar Samu por essa via – passou a dar-lhe bolas em apoios frontais, quase sempre sem sequência.
Do outro lado, jogavam Holsgrove e Guitane, este com muito requinte técnico em qualquer jogada que lhe passasse pelos pés, deixando colegas duas vezes com situações de remate e uma outra situação que criou para si próprio sem sucesso. O FC Porto também sofria com os movimentos opostos de Holsgrove e Guitane, deixando Mora e Froholdt sempre na dúvida sobre quem seguia quem.ControloO jogo estava bom e ao Estoril, que já tinha vários lances de perigo, só estava a faltar mais engenho na finalização – já iam com 1,01 de valor de golos esperados, contra 0,22 do FC Porto.Após o intervalo a partida baixou de qualidade. Com a troca de Zaidu por Moura a eficácia das acções de Ricard e Guitane baixou bastante e o jogo estava mais confuso. O FC Porto criou perigo em dois lances de bola parada e, em geral, teve posses de bola bastante prolongadas, conseguindo vias de saída mais “limpas” – Kiwior encontrou colegas com maior facilidade, sobretudo após a entrada de Veiga.A equipa portista estancou o ataque do Estoril e o jogo ficou globalmente mais controlado, mesmo que Ferro tenha estado perto do golo aos 90+2′. Insuficiente, ainda assim, para travar o líder da Liga, que em 21 jornadas sofreu apenas três golos.

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