Espanha desmantela célula terrorista neonazi que preparava atentados
Uma célula terrorista do grupo neonazi e paramilitar The Base, que defende actos violentos contra instituições democráticas e que quer desencadear uma “guerra racial”, foi desmantelada em Espanha, anunciou esta segunda-feira a polícia espanhola.”A Polícia Nacional desarticulou a primeira célula terrorista de carácter aceleracionista detectada em Espanha”, na província de Castellón (Comunidade Valenciana), lê-se em comunicado. “Foram detidas três pessoas suspeitas de pertencerem ao The Base, uma organização (…) considerada terrorista pela União Europeia, Canadá, Reino Unido e Nova Zelândia.”Na sua definição original, o “aceleracionismo” é uma linha de pensamento que defende a expansão rápida do sistema capitalista e da tecnologia para desencadear mudanças sociais e políticas radicais. No contexto da extrema-direita, porém, entre as alas mais radicais de movimentos neonazis e supremacistas brancos, a aceleração desejada é outra: a instigação, através do terrorismo, de uma “guerra racial” e do derrube da ordem existente.Os três detidos, de 22, 24 e 48 anos, são acusados de pertença a uma organização terrorista, de recrutamento, doutrinação e treino com intenção de cometer actos terroristas, bem como de posse ilegal de armas. O alegado líder da célula era conhecido das autoridades por uma série de crimes violentos e permanecerá em prisão preventiva.A polícia apreendeu ainda armamento, munições, mais de 20 armas brancas, equipamento táctico militar utilizado em actividades de treino, “material e documentação de natureza aceleracionista e supremacista”, material propagandístico do The Base, “parafernália neonazi” e “documentação de exaltação de outras organizações terroristas”.
??Desarticulada la primera célula terrorista de carácter aceleracionista detectada en #España ?????????Detenidas 3 personas por su presunta pertenencia a ‘’The Base’’ ??una organización considerada terrorista en la #UE, #Canadá, #ReinoUnido, #Australia y #NuevaZelanda… pic.twitter.com/rzvhVTQzfc— Policía Nacional (@policia) December 1, 2025
“O líder da célula espanhola estava em contacto directo com o fundador do The Base”, que, sublinhou a polícia espanhola, “há um mês fez um apelo para a consolidação das células espalhadas por vários países e para a concretização de ataques selectivos com o objectivo de derrubar as instituições democráticas ocidentais”.Segundo a polícia, os três detidos em Espanha estavam “altamente radicalizados, baseavam o seu estilo de vida nos princípios da organização terrorista e estavam dispostos a realizar atentados”, tendo já integrado “vários treinos tácticos usando técnicas e equipamento paramilitar”.A polícia espanhola lembrou que a organização The Base, criada há sete anos, quer “alcançar o objectivo de uma supremacia branca através do terrorismo” e “opera como uma rede descentralizada e clandestina de pequenas células operacionais”, em preparação para uma “guerra racial”.De acordo com os EUA e a Europol, o líder e fundador do The Base é o norte-americano Rinaldo Nazzaro. No início da década de 2000, criou uma empresa especializada na recolha de informações de segurança interna e combate ao terrorismo e chegou a prestar os seus serviços ao FBI e ao Pentágono. Vive em São Petersburgo, na Rússia, desde 2017, tendo já dupla nacionalidade. Comprou entretanto um terreno de 12 hectares no estado de Washington, que será usado pela organização como campo de treino.Vários membros do The Base foram condenados nos EUA por actos de vandalismo contra sinagogas em 2019 e outras acções terroristas nos anos seguintes. Na Europa, a Europol e o Eurojust coordenaram também operações contra células deste grupo, detendo suspeitos nos Países Baixos, Bélgica, Croácia, Alemanha, Lituânia, Roménia e Itália.Em Junho, em Portugal, foi também desmantelado um “grupo terrorista nacionalista, de extrema-direita, anti-imigração e anti-sistema, apoiado numa milícia armada com arsenal próprio”. Apesar de não utilizar o termo “aceleracionismo”, segundo a PJ, o Movimento Armilar Lusitano agia com intenção de “pôr em causa a segurança, o poder e as estruturas públicas e constitucionais”. A ameaça aceleracionista era contudo já reconhecida em 2020 num relatório do Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa. Com Lusa









