CIÊNCIA

Marcelo e Rangel pedem contenção e diálogo após Venezuela revogar licença da TAP

O Presidente da República e o ministro dos Negócios Estrangeiros manifestaram, nesta quinta-feira, preocupação com a decisão das autoridades venezuelanas de revogar a licença de operação da TAP, numa escalada diplomática que já atinge seis companhias aéreas internacionais e levanta receios quanto à segurança e apoio à comunidade portuguesa no país.A medida, anunciada pelo Governo de Nicolás Maduro, anulou os direitos de tráfego aéreo da TAP e de outras cinco transportadoras (Iberia, Avianca, Latam, Turkish Airlines e Gol) impedindo-as de operar voos de e para a Venezuela. Segundo o El País, a decisão surge após acusações de que estas empresas estariam associadas “às acções de terrorismo de Estado promovidas pelo Governo dos Estados Unidos”. As operações foram suspensas unilateralmente e as companhias obrigadas a cancelar os voos.Em reacção e à margem de uma visita à Fundação Champalimaud, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa explicou que seria “contido” nos comentários sobre a situação uma vez que esta “é uma competência governativa e diplomática”, mas reconheceu o impacto que esta crise pode ter para os portugueses na Venezuela.“A mesma preocupação existe, a pensar na comunidade portuguesa, quanto ao anúncio que foi divulgado, mas que espero que não seja uma decisão definitiva das autoridades venezuelanas”, afirmou, citado pela agência Lusa. O Presidente recordou que Caracas “sabe como a comunidade portuguesa é importante” para as relações bilaterais e como “tem uma ligação muito grande a uma companhia portuguesa de aviação”.“Não é preciso ser-se grande observador para se perceber como tudo isso deve ser focado com muito cuidado, com pinças, e a nossa diplomacia é muito boa nisso, e eu confio na forma como o Governo está a tratar disso”, acrescentou.Resposta “desproporcionada”Horas antes, no Parlamento, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, considerou a resposta venezuelana “desproporcionada”, embora tenha defendido a suspensão prévia de voos por parte da TAP após o alerta de segurança internacional desencadeado pela Administração Federal de Aviação dos EUA.“Seria totalmente irresponsável, depois de um alerta de que não havia segurança, de que os voos poderiam ser atingidos por objectos militares, que a TAP mantivesse os seus voos”, declarou Paulo Rangel. O ministro sublinhou que esta foi também a decisão de várias outras companhias e que a transportadora portuguesa avaliou “voo a voo” as condições. “Não há ninguém em Portugal que sustente que uma companhia, perante um alerta credível de que as condições de segurança não estão reunidas, não suspenda o seu voo”, completou.O governante garantiu que o Portugal está a actuar através da embaixada em Caracas, sensibilizando as autoridades venezuelanas para a desproporção da medida e esclarecendo que o Governo deseja que as ligações sejam retomadas quando estiverem reunidas condições de segurança. “Não temos nenhuma intenção de cancelar as nossas rotas para a Venezuela, e, obviamente, só o fizemos por razões de segurança que, por todas as regras internacionais da aviação, nem sequer havia a hipótese de não respeitar”, vincou.Para já, de acordo com Paulo Rangel, não foi recebido “nenhum relato” de situações urgentes de cidadãos que necessitem de sair da Venezuela. Caso isso aconteça, o Governo compromete-se a apresentar uma solução.Também o ministro das Infra-Estruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, afirmou que o Governo português “não cede a ameaças, ultimatos ou pressões de qualquer natureza”, garantindo que o país tem como prioridade principal a defesa dos seus cidadãos e instituições.A TAP reiterou nesta quinta-feira que as condições de segurança impostas pelos seus padrões internos e pelo regulador “não permitem voar para a Venezuela de momento”, assegurando, porém, que pretende continuar a servir a diáspora portuguesa naquele país.A suspensão dos voos pelas seis companhias coincidiu com a recomendação da Administração Federal de Aviação (FAA) para que as transportadoras comerciais “exercessem extrema cautela” ao sobrevoar a Venezuela e o sul das Caraíbas, devido ao que classificou como “uma situação potencialmente perigosa na região”.

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