CIÊNCIA

Mudar torneiras para poupar água: Cascais alarga medida a mais escolas e edifícios

A Câmara de Cascais alargou, este mês, as medidas de poupança de água ligadas à inteligência hídrica a mais 12 escolas e 13 edifícios municipais. No geral, o projecto consiste na substituição ou adaptação de equipamentos como torneiras e autoclismos. Com os “arranjos” da primeira fase deste trabalho, que terminou em 2024, conseguiu-se poupar o equivalente a quase “três piscinas olímpicas”, de acordo com a autarquia. No futuro, a ideia é que este plano abranja todas as escolas e edifícios municipais.A primeira fase do designado “Projecto de Inteligência Hídrica nas Escolas Municipais” decorreu entre Setembro e Outubro de 2024 e abrangeu dez escolas. Um dos grandes objectivos foi pôr em prática medidas de poupança de água potável em instalações sanitárias através de substituição ou adaptação de equipamentos como torneiras, chuveiros ou autoclismos. Para isso, a Associação Nacional para a Qualidade das Instalações Prediais realizou auditorias a 1112 dispositivos das escolas e identificou a necessidade de intervenção em 708 deles.Questionada sobre os resultados, a autarquia indica que, após um ano desde a entrada em funcionamento das medidas, se poupou 6673 metros cúbicos de água, o que é equivalente a quase “três piscinas olímpicas”. Também se indica que se investiu 25.120 euros na primeira fase do projecto e a poupança financeira das medidas equivalerá a 12.041 euros por ano.A 18 de Novembro iniciou-se a segunda fase do projecto, que deverá terminar em Janeiro. Estão incluídas 12 escolas: o jardim de infância Cesaltina Fialho Gouveia; as escolas básicas e secundárias de Carcavelos e Frei Gonçalo de Azevedo; e as escolas básicas A.H. Oliveira Marques, S. João do Estoril, Padre Agostinho da Silva, Santo António, Raul Lino, Branquinho da Fonseca, José Jorge Letria, Cobre e Areia-Guincho. Nesta fase entram também 13 dos 28 edifícios municipais, como o da Sede do Concelho, da Casa Sommer, do C2 – Centro de Controlo de Cascais, do Cascais Center, do Edifício Sol, da Polícia Municipal, da Biblioteca de São Domingos de Rana ou da Biblioteca Casa da Horta.Numa informação levada à reunião de câmara desta semana, indica-se que, nesta fase, a equipa da Divisão de Ribeiras e Inteligência Hídrica fez uma formação e previu depois a necessidade de se fazer alterações em 1139 dispositivos dos 1745 analisados. Com estas intervenções, prevê-se uma poupança de água de 6850 metros cúbicos por ano. O investimento será de 44.256 euros e estima-se que se possam poupar 12 mil euros por ano.A ideia é continuar com o projecto em mais edifícios públicos, de acordo com o presidente da autarquia, Nuno Piteira Lopes (PSD). “No futuro, perante os bons resultados demonstrados, a ideia é alargar o projecto de eficiência hídrica à totalidade das escolas e edifícios municipais e públicos”, refere numa declaração enviada por escrito ao PÚBLICO. Este é um projecto incluído na Estratégia Municipal para a Água, iniciada este ano, para que seja possível reduzir o consumo de água potável através da redução do desperdício nas actividades do município.


Sobre o consumo de água em Cascais, o documento com a informação levada à reunião de câmara indica que “é bastante elevado” – de 16 milhões metros cúbicos por ano – e “cerca de 20% superior à dos municípios vizinhos e à média nacional”. Também se menciona que há uma “dependência hídrica quase exclusiva do exterior do território municipal”, vindo 91% de Castelo do Bode e os restantes de origens próprias.No documento, refere-se ainda, a partir de dados de 2024, que o consumo de água da câmara municipal “corresponde a 24% dos consumos não domésticos do concelho, e comporta um custo anual de 2,7 milhões de euros e 1,8 milhões de metros cúbicos de água potável consumida”. As escolas estão em segundo lugar nos maiores consumidores municipais de água, correspondendo a 13% do consumo total, o que se deve sobretudo à sua utilização nas instalações sanitárias e rega de espaços verdes. Já o consumo dos 28 edifícios municipais representa 4% do total.Em Fevereiro, também se noticiou que o município de Cascais usa, desde o início de 2025, águas residuais tratadas para a lavagem de ruas e passeios, uma medida que também se insere na Estratégia Municipal para a Água.

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