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Brasil será destaque na programação da Casa da Música em 2026

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A fusão entre as tradições populares da música brasileira e a erudição europeia de Heitor Villa-Lobos e a residência artística de Bianca Dacosta vão dar um tom brasileiro à programação de 2026 da Casa da Música, do Porto, apresentada nesta terça-feira, 25 de novembro. Com o tema Raízes e Ressonâncias, além do diálogo criado pelo compositor carioca entre a musicalidade barroca de Johann Sebastian Bach aos sons da floresta amazônica, juntando o folclore à modernidade, a temporada tem como foca as conexões formadas pelas várias tradições musicais. .Segundo o diretor artístico da Casa da Música, François Bou, a escolha de Villa-Lobos é natural dentro do contexto cultural português. “Aqui em Portugal há uma comunidade muito importante, a brasileira. E, por isso, foi quase óbvio programarmos Villa-Lobos. Portugal, fora do Brasil, é o país ideal para apresentá-lo”, afirmou.O ciclo Ressonâncias de Villa-Lobos reunirá diferentes artistas para interpretar todas as Bachianas Brasileiras e outras obras emblemáticas do compositor. O grupo de violoncelos da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo participa da programação, assim como o Coro da Casa da Música. Haverá ainda uma performance da sinfonia Floresta do Amazonas, conduzida pela Orquestra Sinfônica do Porto Casa da Música, com criação visual de Bianca Dacosta. Bou destaca ainda a força das composições do brasileiro: “A Bachiana Brasileira nº 5 é uma música universal. Em qualquer lugar do mundo, se a tocar, todos a reconhecem”, destaca.


A artista brasileira Bianca da Costa, que terá este ano uma residência artística na Casa da Música
Sérgio Nascimento

Residência de Bianca DacostaArtista multimídia Bianca Dacosta, que vive há nove anos na Europa, irá desenvolver um projeto que investiga os sons da floresta amazônica e suas ressonâncias contemporâneas. A pesquisa será realizada no próprio território, no início de 2026. “Quero entender como essa investigação de Villa-Lobos sobre os sons da floresta dialoga com o mundo de hoje e com os povos originários da Amazônia. A ideia é reinterpretar esse material a partir de uma escuta atual”, explica.A artista planeja viagens ao Acre e possíveis intercâmbios com integrantes dos povos originários Huni Kuin, embora ressalte que as definições ainda estão em curso. “Tudo está em transformação. Mas desejo promover trocas que permitam pensar os sons da floresta também diante das questões políticas e ecológicas do território”, afirma.O projeto terá desdobramentos visuais, instalativos e pedagógicos dentro da Casa da Música, segundo a brasileira. “Haverá uma pesquisa de imagens e saberes que depois serão trabalhados aqui. Pensamos em um espaço cenográfico que também funcione como instalação e em ações que possam chegar ao campo educativo”, diz Bianca.


A residência se estenderá por diferentes períodos ao longo de 2026. “Conversei com o François Bou para ficar no Porto em setembro, outubro e novembro, quando vamos apresentar a obra. Também teremos curtas-metragens, conferências e vamos ver a possibilidade da presença de representantes de povos originários aqui”, detalha.Nascida em Niterói (RJ), Bianca Dacosta é formada em Cenografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio) e estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Ela fez ainda mestrado em Cenografia, em Paris, e uma especialização em cinema também na França.Pop e videojogosA programação abre espaço também para a cultura pop, com o Festival Press Start, dedicado a animação e música para videojogos, e a Estação Jazz, que incorpora jazz, funk, hip hop, blues, soul, Música Popular Brasileira e uma homenagem ao centenário de nascimento do músico norte-americano John Coltrane. Estão confirmados ainda o cantor português Vitorino, o trio britânico GoGo Penguin e o músico Joe Jackson.Bou considera dois eventos como símbolos de sua visão para a Casa da Música. “O festival de abertura é exemplar do que quero fazer aqui, porque reúne todos os grupos e temas da temporada. E o Festival Amazônia tem um significado especial, sobretudo pela participação de uma artista visual pela primeira vez, a brasileira Bianca. Estes dois festivais são emblemáticos do que desejo construir”, avaliou. Entre os nomes que estarão no festival de abertura estão Conan Osiris, Patrick Watson e Roger Muraro.
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