DESPORTO

Toyota bZ4X renovado: a solidez do costume, agora com maior eficiência

Foi nas estradas de montanha do Sul de Espanha, com a silhueta do rochedo de Gibraltar a espreitar no horizonte, que tivemos o primeiro contacto com a versão actualizada do Toyota bZ4X. Para quem segue a indústria automóvel, é sabido que a marca japonesa prefere dar passos ponderados em vez de saltos no escuro, e esta renovação do primeiro modelo 100% eléctrico do fabricante reflecte precisamente essa filosofia. Não estamos perante uma revolução, mas sim uma evolução focada naquilo que, no final do dia, mais importa ao cliente da Toyota: a eficiência e a confiança na máquina.A grande novidade reside na oferta de duas capacidades de bateria, ambas associadas exclusivamente à tracção dianteira (FWD), uma vez que a versão de tracção integral não será comercializada em Portugal. A versão de entrada recorre agora a uma bateria de 57,7 kWh, que alimenta um motor de 167cv (123 kW) — um aumento de potência face à geração anterior — e promete uma autonomia de até 444 quilómetros.Para quem sofre de “ansiedade de autonomia”, a opção mais capaz inclui uma bateria de 73,1 kWh, que foi a que conduzimos na apresentação à imprensa. Nesta configuração, a potência aumenta para os 224cv (165 kW) e a autonomia (WLTP) estende-se até uns generosos 569 quilómetros entre carregamentos.Apesar de o percurso ter sido feito a velocidades médias relativamente baixas, típicas de estradas sinuosas, os números são promissores. O computador de bordo registou um consumo de 14,6 kWh/100km após cerca de uma centena de quilómetros. Um valor que se aproxima bastante do consumo oficial anunciado de 13,9 kWh/100 km Apesar de este registo ser apenas um valor indicativo, a experiência diz-nos que o modelo anterior muito dificilmente apresentaria este consumo em condições similares. Isto significa que o novo bZ4X será a nova referência no consumo para o segmento? Provavelmente, não. Mas tudo indica que a Toyota conseguiu, no mínimo, apresentar uma eficiência energética competitiva, o que até agora não acontecia nos 100% eléctricos.


Em Portugal, o novo Toyota bZX4 vai estar disponível apenas com versão de tracção frontal
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A juntar a isto, nota-se um trabalho de casa bem feito na insonorização — talvez a mudança mais evidente quando pegámos no carro — e na suspensão. Mesmo quando o asfalto se apresentou degradado, o bZ4X filtrou as irregularidades com distinção, ultrapassando lombas e buracos sem transmitir desconforto aos ocupantes. É um carro que se sente robusto, com materiais interiores que, não tendo um aspecto luxuoso, transmitem uma sensação de durabilidade e qualidade de construção. Também sentimos uma resposta inicial do acelerador mais viva, que, por vezes, até coloca à prova a aderência dos pneus dianteiros no arranqueErgonomia e vida a bordoNo habitáculo, as mudanças são visíveis e bem-vindas. A consola central foi rebaixada, o que melhora a utilidade e a sensação de espaço, integrando agora um carregador duplo sem fios, capaz de alimentar a bateria de dois telemóveis em simultâneo. Destacamos particularmente o “feeling” mecânico e preciso do comando rotativo para seleccionar a marcha (D, N e R), um detalhe que oferece uma interacção táctil agradável. Já o volante apresenta-se repleto de botões físicos. Embora exija algum tempo de habituação até os dedos memorizarem as posições, esta opção acaba por ser mais prática no uso diário do que as superfícies tácteis que tantas marcas insistem em adoptar e que obrigam a desviar o olhar da estrada.Por falar em olhar para a estrada, a visibilidade do painel de instrumentos digital é irrepreensível. Montado numa posição elevada, agora junto ao pára-brisas, funciona quase como um head-up display (HUD), mantendo a informação essencial sempre no campo de visão do condutor.Contudo, nem tudo são rosas na componente tecnológica. O ecrã central é gigante, com 14 polegadas de diagonal, mas o potencial acaba por ser desaproveitado por um sistema operativo que nos pareceu datado. Faltam aplicações e a interface gráfica clama por uma modernização. Numa era em que a inteligência artificial começa a ser co-piloto em tantos modelos rivais, a Toyota continua a ignorar esta tecnologia, mantendo-se numa linha conservadora.


O ecrã central é agora gigante e tem duas rodas de comando integradas para controlar a temperatura do ar condicionado. Mas a interface gráfica continua a ter um aspecto datado e faltam funcionalidades mais avançadas.
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As duas rodas de comando inseridas na parte inferior do ecrã permitem controlar a temperatura da climatização de forma directa, o que é óptimo, mas fica a sensação de oportunidade perdida: poderiam servir para controlar outros aspectos, como a velocidade da ventoinha ou o nível de zoom do mapa de navegação.Transparência no estado da bateriaUm dos pontos mais interessantes deste novo bZ4X é a transparência com que trata a “saúde” da componente mais cara de um carro eléctrico. No painel de instrumentos é possível visualizar o state of health (SOH), ou seja, a percentagem de capacidade da bateria relativamente à original. É uma informação rara na indústria, mas que reforça a honestidade da marca perante o cliente. Recorde-se que a garantia cobre a conservação de pelo menos 70% da capacidade original ao fim de dez anos ou um milhão de quilómetros, desde que o veículo visite o serviço oficial da marca anualmente.No capítulo do carregamento, a velocidade foi melhorada, aceitando agora uma potência máxima de 150 kW. Isto permite recuperar de 10 a 80 por cento da carga em apenas 28 minutos, desde que se utilize o pré-condicionamento da bateria. Esta preparação térmica das células pode ser feita de três formas: automaticamente, se o sistema de navegação souber que o destino é um carregador; manualmente, activada pelo próprio condutor quando sabe que vai carregar em breve; ou remotamente, através da aplicação para smartphone.O design exterior sofreu apenas alterações de detalhe, mas que foram suficientes para baixar o coeficiente aerodinâmico de 0,29 para 0,27, ajudando à tal eficiência que referimos no início. A aceleração sente-se mais vigorosa, especialmente no arranque, o que por vezes chega a colocar desafios à tracção dos pneus.Primeira opiniãoA estrutura da gama nacional divide-se em três níveis: Exclusive, Premium e Lounge. Os preços iniciam-se nos 44.990 euros para a versão Exclusive com a bateria de 57,7 kWh. Quem optar pela bateria maior de 73,1 kWh terá de despender 48.690 euros pela versão Premium ou 54.590 euros pelo nível de equipamento Lounge, que acrescenta “mimos” como jantes de 20 polegadas e carregador de bordo de 22 kW. Estes valores não colocam o novo bZ4X entre os SUV familiares mais acessíveis, mas também é verdade que a nova versão com bateria de menor capacidade veio baixar o preço de acesso ao 100% eléctrico da Toyota.Em suma, este Toyota bZ4X não é o automóvel para quem procura andar na “crista da onda” tecnológica, nem para quem procura a melhor relação características/preço. É, sim, uma proposta sólida para utilizadores mais conservadores, que querem entrar na mobilidade eléctrica guiados por uma marca que lhes transmite segurança e confiança.

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