CIÊNCIA

Lula diz que quer assinar acordo entre o Mercosul e a UE em 20 de Dezembro

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O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou, neste domingo (23/11), em Joanesburgo, na África do Sul, que pretende assinar o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) em 20 de Dezembro, em Brasília. O líder brasileiro participou da reunião do G20, grupo que reúne as economias mais desenvolvidas do mundo. Ele conversou sobre o acordo com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.”Eu posso garantir que, no dia 20 de Dezembro, estarei assinando o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. É um acordo que envolve, praticamente, 722 milhões de habitantes e 22 trilhões de dólares de PIB (Produto Interno Bruto). É uma coisa extremamente importante, possivelmente, o maior acordo comercial do mundo. E aí, depois que a gente assinar o acordo, vai ter ainda muita tarefa para a gente poder começar a usufruir das benesses desse acordo. Mas vai ser assinado”, afirmou Lula em conversa com jornalistas.O acordo entre os dois blocos econômicos vem sendo discutido há pelo menos 25 anos. No ano passado, finalmente, o acordo foi firmado, mas ainda falta ser ratificado pelo Parlamento Europeu. Será necessário o sim de pelo menos 50% mais um dos deputados europeus. A França continua contra o tratado, sob a alegação de que os produtores agrícolas do país serão prejudicados, uma vez que não conseguem competir em condições de igualdade com os produtos originários de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que compõem o bloco sul-americano.Prisão de BolsonaroEm relação à prisão preventiva do ex-Presidente Jair Bolsonaro, ocorrida no sábado (22/11) por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Lula ressaltou que todo mundo sabe o que ele fez. E assinalou que “não tem nada a ver” a declaração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a prisão de Bolsonaro era “uma pena”.O líder brasileiro disparou: “A primeira coisa é que não faço comentário sobre decisão da Suprema Corte. A Justiça tomou uma decisão. Ele foi julgado. Ele teve todo o direito à presunção de inocência. Foram praticamente dois anos e meio de investigação, de delação, de julgamento”.Para Lula, se a Justiça decidiu, está decidido. “Ele vai cumprir a pena que a Justiça determinou. E todo mundo sabe o que ele fez”, sublinhou. Neste domingo, Bolsonaro passou por audiência de custódia, e a prisão preventiva foi mantida. No depoimento, o ex-Presidente disse que tentou destruir a tornozeleira eletrônica com um aparelho de solda por estar “em surto de paranóia” devido a medicamentos que está tomando.Trump e VenezuelaNa conversa com jornalistas, Lula foi cobrado pela ausência de Donald Trump no G20, uma vez que os Estados Unidos serão os próximos a responder pela presidência do grupo. “Não é a primeira vez que falta um líder importante. Em outras vezes, já fizemos o G20 sem lideranças importantes, que não puderam participar. O Presidente Xi Jinping, da China, não veio, mas veio o primeiro vice-ministro dele. Então a China esteve com forte delegação. O Presidente Trump não veio, mas vai presidir o próximo G20 nos Estados Unidos. E todos iremos prestigiar”, disse.Segundo o líder brasileiro, os Estados Unidos continuam a ser a maior economia do mundo. “Mas é importante saber que existimos, mesmo quando eles não participam. O G20 reúne as 20 maiores economias do mundo, e acho que o G20 hoje é o grande fórum de decisões multilaterais e tem a respeitabilidade de toda a economia. O que precisamos é colocar em prática as coisas que decidimos, e acho que ficou claro para todo mundo com o documento assinado em Joanesburgo”, assinalou.Sobre a presença militar dos Estados Unidos no Caribe, que tem como alvo a Venezuela, Lula destacou estar receoso. “Eu estou preocupado, porque a América do Sul é considerada uma zona de paz. Somos um continente que não tem armas nucleares, não tem bomba atômica. A mim me preocupa o aparato militar que os Estados Unidos colocaram no Mar do Caribe, e pretendo conversar com o Presidente Trump sobre isso”, frisou.Para Lula, o Brasil tem responsabilidade em relação à América do Sul, sobretudo, porque faz fronteira com a Venezuela. “Acho que não tem sentido você ter uma guerra agora. Ou seja, não vamos repetir o erro que aconteceu na guerra da Rússia e da Ucrânia. Para começar, basta dar um tiro. Para terminar, não se sabe como termina. Então é importante que a gente tente encontrar uma solução antes de começar”, comentou.Presidente em MoçambiqueDa África do Sul, o líder brasileiro viajou para Moçambique, onde participará, nesta segunda-feira (24 de Novembro), de um encontro entre empresários do Brasil e do país Africano. As duas nações estão completando 50 anos de relações diplomáticas, seladas depois da independência de Moçambique de Portugal. Esta é a terceira vez que Lula visita o país africano, que integra a Comunidade de Língua Portuguesa (CPLP). A última vez foi há 15 anos.A meta do governo brasileiro é ampliar as exportações para Moçambique, hoje, de apenas 40 milhões de dólares por ano. O principal produto vendido pelo Brasil ao país africano é carne de frango. Lula encerrará o seminário com 200 empresários, sendo 100 de cada lado. Lula foi convidado pessoalmente para estar em Moçambique pelo presidente do país, Daniel Chapo, durante a participação dele na Cúpula de Líderes na COP30, realizada há duas semanas em Belém do Pará.
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