TECNOLOGIA

Harvard divulga mais de 750 mil páginas digitalizadas dos julgamentos de Nuremberga

Celebram-se os 80 anos do início dos julgamentos de Nuremberga. Também nesta quinta-feira, a Biblioteca da Harvard Law School disponibilizou, online, a primeira colecção de registos digitalizada do processo pelos crimes do Holocausto. Os documentos estão agora acessíveis a todos, em inglês, e é possível pesquisar por palavras.A divulgação é possibilitada pelo Nuremberg Trials Project, que envolve uma equipa de 30 pessoas, composta por historiadores, arquivistas e advogados, que passaram os últimos 25 anos a digitalizar, transcrever e catalogar os documentos oficiais.O projecto começou em 1998, mas disponibilizava apenas fotografias dos documentos. Por não serem versões digitalizadas, a procura por palavras, a pesquisa e, por vezes, a leitura era dificultada. Paul Deschner, responsável tecnológico do projecto, citado no site da universidade, diz que “os documentos estavam guardados em caixas, e estavam a começar, literalmente, a desfazer-se”.Esta colecção, a mais completa de documentos destes julgamentos para além da do Arquivo Nacional dos EUA, é composta por mais de 750 mil páginas e contempla transcrições de depoimentos, mas também resumos, interpretações e provas dos 13 processos movidos contra os políticos e militares nazis.”Trabalhámos arduamente para fornecer versões altamente precisas de documentos e transcrições pesquisáveis em texto, bem como dados descritivos cuidadosamente seleccionados sobre eles, que juntos permitem trazer à luz até mesmo os materiais mais obscuros”, acrescenta Deschner, que explica que o público pode, agora, pesquisar por documentos específicos, visualizar as informações de forma mais fácil, ver transcrições originais e traduzidas, pesquisar por palavras-chave ou por citações e clicar, no texto, em hiperligações que remetem para o material original.


A plataforma para aceder aos registos já está disponível
DR

Morreram seis milhões de judeus às mãos do regime nazi durante o Holocausto. Os julgamentos de Nuremberga são considerados por muitos historiadores e juristas como um dos mais importantes passos rumo ao estabelecimento padrões universais de conduta em tempos de guerra. Pelo seu valor histórico e perante o receio que a história se repita pela via do desconhecimento, a disponibilização acessível destes documentos foi defendida por muitos ao longo dos anos.Amanda Watson, directora-adjunta da Biblioteca e Serviços de Informação da Harvard Law School, explica que “preservar informação jurídica é um trabalho essencial, mas não é suficiente. Temos a responsabilidade de abrir portas e conectar este conhecimento vital com o resto do mundo”, sublinha.Ao The Guardian, Deschner explica a importância do projecto por dois motivos. Primeiro, porque reforça a importância do universo académico e destas iniciativas, numa época “em que a liberdade académica é ameaçada, em particular nos EUA, e as universidades estão a ser questionadas no seu papel de locais de promoção da verdade”. Depois, porque “o mundo é influenciado pelo que está digitalmente acessível e porque é essencial que ofereçamos ao utilizador provas que comprovem a autenticidade do que está a ver”, nomeadamente, nos casos de “negacionistas convictos do Holocausto, que não têm limites para a invenção de argumentos de que não aconteceu”.Os julgamentos decorreram de 20 de Novembro de 1945 ao 1 de Outubro seguinte. Duraram 248 dias, foram ouvidas 240 testemunhas e anexados 300 mil documentos. A decisão culminou na indiciação de 22 líderes políticos e militares nazis.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.