Met Gala de 2026 vai “trazer o corpo de volta às discussões sobre arte e moda”
Não há moda sem corpo. A próxima exposição do Costume Institute do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, será sobre a centralidade do corpo, servindo também de mote à grande noite da moda, o Met Gala, marcado para a primeira segunda-feira de Maio, como é habitual. Num cruzamento entre moda e arte, Costume Art será a exposição inaugural da galeria da Condé M. Nast com mais 1114 metros quadrados, avança a revista Vogue, que organiza o Met Gala.“Será transformador para a nossa área, mas também acho que será transformador para a moda em geral — o facto de um museu de arte como o Met estar realmente a dar um lugar central à moda”, declara o curador da exposição, Andrew Bolton. A mostra vai reflectir sobre “a centralidade do corpo vestido na vasta colecção do museu”, misturando 200 pinturas, esculturas e outros objectos com mais de cinco mil anos de história, colocados em diálogo com 200 peças de vestuário histórico e contemporâneo, resume.Isto porque a moda é um fio comum entre todas as galerias do museu, sendo o vestuário quase tão antigo como a própria humanidade, lembra, argumentando: “Foi uma epifania. Sei que muitas vezes fomos vistos [a moda] como os enteados, mas, na verdade, o corpo vestido está em destaque em todas as galerias que se visita. Mesmo o nu nunca está nu.”Até o nu reflecte “os valores culturais”, daí que a primeira imagem para anunciar a exposição seja uma série de bustos, que mostram a silhueta do manequim — que não é comum nas exposições do Met, que dão mais destaque às peças de roupa. Aqui quis mostrar “a ligação indivisível entre os nossos corpos e as roupas que vestimos”, explica. A moda “tem vantagens sobre a arte porque trata-se da experiência vivida e incorporada por cada um”, insiste.
Andrew Bolton decidiu dividir em três categorias a grande exposição: “corpos omnipresentes na arte”, que inclui o nu; corpos ignorados, “como o corpo envelhecido ou da grávida”; e os corpos “universais”. E com isso quer trazer uma abordagem mais inclusiva do que faz a moda propriamente dita, onde a diversidade na passerelle ainda é quase uma miragem. “A ideia era trazer o corpo de volta às discussões sobre arte e moda, e abraçá-lo, em vez de afastá-lo como forma de elevar a moda a uma forma de arte”, declara o curador.Aberta ao público a 10 de Maio e patente até 10 de Janeiro de 2026, a exposição é patrocinada por, nem mais, nem menos, do que Jeff Bezos e Lauren Sánchez, além de ter o apoio da Condé Nast e financiamento da Saint Laurent — um patrocínio que levanta o véu para os coordenados que se podem esperar na passadeira vermelha. Contudo, a Vogue não avança detalhes sobre o dress code para a noite de gala.Há 30 anos que a nova exposição do Costume Institute é sempre inaugurada na primeira segunda-feira de Maio. A famosa gala é, mais do que um desfile de vaidades, mas um evento de angariação de fundos para financiar as exposições — tem sido assim desde 1948, pouco depois do Museum of Costume Art se ter fundido com o Met. Por exemplo, em 2024, o Met Gala angariou cerca de 26 milhões de dólares (cerca de 22,3 milhões de euros), diz o New York Times.
Anna Wintour no Met Gala
BRENDAN MCDERMID/reuters
Anualmente, a anfitriã do evento é Anna Wintour, a ex-directora da Vogue norte-americana e agora directora global da Condé Nast. A ela juntam-se sempre caras conhecidas, como Kim Kardashian, Sarah Jessica Parker, Pharrell Williams ou Rihanna, que devem seguir o tema escolhido. Mas não é preciso ser convidado, nem ser uma celebridade para ir ao Met Gala: basta comprar o bilhete (desde que tenha a aprovação de Wintour, que é quem analisa a lista), que pode custar mais de 30 mil euros.Mas pouco mais de sabe sobre o que se faz dentro do Met Gala — além de os convidados verem a exposição e jantarem de seguida — uma vez que os telemóveis são proibidos. Normalmente, há, ainda, a actuação de um artista afamado.A grande atracção da noite é sempre a moda e o Met Gala é conhecido pela extravagância. Em anos anteriores, já reflectiu sobre temas como o catolicismo (2018), a identidade americana (2010 e 2022), a fragilidade da moda (2024) ou a influência de Karl Lagerfeld na moda (2023). Este ano, os Óscares da moda, como também é conhecido este evento, celebraram a criatividade afro-americana e o estilo dos dandies.










