França processa Vinted por anúncios que direccionam para conteúdos para adultos
A Vinted, plataforma de venda de roupa em segunda mão, está a ser investigada em França após alegações de que algumas contas estão a utilizar os seus anúncios para promover e direccionar os utilizadores, mesmo os menores de idade, para sites com conteúdos pornográficos.No passado domingo, a chefe da agência de protecção de menores francesa, Sarah El Hairy, partilhou que apresentou uma queixa formal à Arcom, regulador francês dos media e da Internet. El Hairy pediu ao regulador que investigasse a Vinted por não impedir que menores acedessem a conteúdo destinado a adultosA informação foi avançada pelo jornal francês L’informé, que identificou anúncios de roupa utilizados para redireccionar utilizadores, através de links incluídos nas descrições, para sites de conteúdo eróticos ou pornográficos, como é o caso do Only Fans.“Onde há crianças ou adolescentes, há predadores, e o que eles fizeram desta vez foi usar a venda de objectos comuns para direccionar (os utilizadores) para sites pornográficos”, afirmou a responsável da agência de protecção de menores em entrevista ao canal de televisão francês France 3.“A Vinted ganha dinheiro com os seus anúncios, então tem uma responsabilidade directa”, acrescentou El Hairy.
Confrontada pela AFP, a Vinted negou qualquer permissividade e garantiu que não permite a promoção de serviços sexuais. A empresa afirmou ter “tolerância zero” relativamente a contactos ou mensagens de natureza sexual e afirmou dispor de sistemas automáticos de detecção para identificar comportamentos suspeitos. A Vinted apelou ainda para que se denunciasse qualquer conteúdo considerado inadequado.El Hairy solicitou que a Vinted seja obrigada a incluir um sistema de verificação de idade, tal como decretado em França, no Reino Unido e noutros países da União Europeia (UE) nas plataformas online de conteúdo para adultos. “A pornografia infantil é proibida no nosso país, é punível por lei e a minha missão é proteger as crianças”, completou.Esta denúncia vem no seguimento da abertura em Paris da primeira loja física da Shein e dos protestos contra a marca de retalho chinesa, que vendia bonecas sexuais com aparência de crianças.A França está a reprimir amplamente os grandes líderes estrangeiros do comércio online numa tentativa de proteger os retalhistas locais. Muitos deles sentem-se ameaçados pelo que consideram ser concorrência desleal de produtos mais baratos e melhor comercializados no seu próprio território por grandes plataformas como AliExpress, Temu ou Shein; ou dos EUA, como eBay ou Amazon. Uma organização de defesa dos consumidores abriu investigações contra cinco dessas plataformas por violarem as regras sobre a venda de produtos ilícitos online, poucos dias após a abertura da loja física da Shein, em Paris.Da União Europeia saem propostas semelhantes. Na passada quinta-feira, os ministros das Finanças da União Europeia decidiram eliminar o actual limite de isenção de direitos aduaneiros de 150 euros, visando taxar todas as encomendas, como as de baixo valor oriundas da China, numa tentativa de diminuir o fluxo de mercadorias provenientes dessa região.










