CIÊNCIA

Diversidade em foco: empreendedores lusófonos se encontram em Lisboa

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Um grupo de 40 empreendedores de diferentes nacionalidades, sobretudo de países lusófonos, participou na terça-feira, 11 de novembro, do Africa Diaspora Founders Meetup, realizado durante o Web Summit Lisboa. O encontro, que promoveu conexões e troca de experiências entre criadores de projetos inovadores da diáspora africana, foi conduzido pela portuguesa Ana Martins, filha de cabo-verdianos e community partner do evento.A reunião, com duração de 20 minutos, juntou participantes de Portugal, Brasil, Nigéria, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e outras nacionalidades. A proposta era oferecer um espaço de diálogo sobre desafios comuns e caminhos de inovação.Segundo Ana Martins, a atividade funcionou como um momento de fortalecimento coletivo. “Falamos sobre os bloqueios que encontramos e como transfomamos isso em ideias de negócios e marcas que existem agora. Também demos espaço para que os empreendedores falassem sobre suas experiências”, acrescentou.Ana participa do Web Summit há três anos e, pela primeira vez, atuou como community partner, no caso dando suporte para promover a diversidade e inclusão no setor tecnológico e ajudando a dar voz a comunidades. Ela explicou que o evento permite observar soluções com impacto direto na vida das pessoas. “O Web Summit não é apenas sobre tecnologia, mas como ela nos impacta no dia a dia. Vemos projetos muito relevantes, como o de uma startup que cria eletricidade na própria aldeia, na Nigéria”, afirmou.Empreendedora na gestão do restaurante da família, no centro de Lisboa, Ana contou que a ideia do encontro surgiu após sugerir à organização do Web Summit Lisboa a criação de um espaço voltado a afrodescendentes. A solicitação foi aprovada. “Estou numa fase de mapear os negócios da nossa comunidade para entender nosso impacto econômico e onde posso fazer mais diferença”, explicou.


Isa Martins vive em Londres e está ligada a uma ONG que promove cultura e educação na Guiné-Bissau
Sérgio Nascimento

Entre as participantes estava Isa Martins, nascida em Portugal e filha de guineenses. Ela atua na área de cibersegurança, vive no Reino Unido e participou pela primeira vez do evento de tecnologia. Isa também mantém um trabalho social ligado à educação na Guiné-Bissau. “Vim para criar conexões e participar do encontro apresentado pela Ana”, disse. Autora do livro de poesias “Nua”, ela fundou uma Organização Não-Governamental (ONG) no país africano focada em cultura e educação, a Casa da Cultura da Guiné-Bissau.“Queremos dar condições para que as crianças avancem nos estudos, em um país onde a educação ainda é muito frágil”, destaca a escritora. Isa explicou que está em formação complementar na área da saúde, com planos de atuar em novos desafios. “Talvez eu inicie uma nova carreira, como gestora, para implementar projetos que melhorem as condições de saúde na Guiné-Bissau e em Portugal”.Cidadã do mundoA empreendedora Djeissica Rosa também participou do encontro. Nascida na Ucrânia, filha de mãe ucraniana e pai santomense, ela cresceu entre São Tomé e Príncipe e Portugal. “Eu sou do mundo”, resume. No Web Summit, apresentou o SiennaStudio, um estúdio dedicado a sessões de fotos, vídeos, produção de conteúdo e locação de salas para reuniões. “Vim ao evento para divulgar meu projeto e fazer contatos. Partilhar experiências com pessoas de várias partes do mundo é muito enriquecedor”.Djeissica esteve no Web Summit no ano passado como modelo e decidiu voltar este ano com um objetivo diferente. Formada em Comunicação Social, ela seguiu carreira no setor bancário antes de abrir o próprio negócio. “É importante fazermos o que gostamos. Resolvi sair da zona de conforto para criar esse projeto, porque gosto de fotografia, de comunicar e de estar com pessoas”, enumera.Para ela, o encontro com empreendedores lusófonos reforça a presença e o avanço dos empreendedores africanos no mercado. “É como voltar à minha terra natal. Partilhar visões com pessoas de diferentes áreas mostra o progresso ao longo dos anos. Divulgar a nossa cultura significa mostrar que acreditamos que, na África, é possível. Estar aqui é a oportunidade de levar isso ao resto do mundo”, finaliza.
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