Três dias para ver, ouvir e aprender a tocar bateria no Porto Drum Show
Foi idealizado por um baterista, a pensar noutros músicos percussionistas e em quem tem curiosidade pelo instrumento ou gosta de o ouvir. Começou em 2018, preparado para receber cerca de 500 pessoas, parou depois de 2019, por causa da pandemia, e voltou em 2022, sem falhar mais um ano. De há uns anos para cá mudou de sítio e o público aumentou. Hoje são milhares os que compram bilhete para este evento, que quem organiza diz ser um dos maiores da Europa, dentro da categoria na qual se insere. O Porto Drum Show regressa esta sexta-feira à Alfândega do Porto para a 6ª edição e decorre até domingo. O dia de sábado já está esgotado há alguns dias.Hugo Danin é o ideólogo desta empreitada, que nasce só porque a paixão pelo que faz o fez querer partilhá-la também com muitos mais que se queiram juntar à volta de uma bateria. Baterista desde tenra idade, com formação profissional feita nos Estados Unidos, para onde se mudou aos 19 anos, participou como músico em dezenas de bandas e músicos nacionais e internacionais e tem o seu projecto solo.Nasceu há 48 anos no distrito de Aveiro, viveu, mais a Norte, no Moledo, até ir para o estrangeiro e, quando regressou, em 2000, montou base no Porto, onde, além da sua actividade como baterista, se dedicou à formação.O seu percurso profissional e a vontade de querer aproximar os seus pares do público e de quem também ambiciona ser baterista levou-o a criar alguns eventos de menor dimensão, até chegar ao primeiro Porto Drum Show, que, em 2018, ainda se realizou num espaço mais pequeno – o CACE Cultural, em Campanhã.Em 2022, as portas da Alfândega do Porto abrem-se pela primeira vez para receber o certame e agora a organização espera que 3 mil pessoas lá se desloquem diariamente nos próximos três dias.Quem lá for, depois de comprar um bilhete diário no valor de 25 euros, vai poder participar em workshops e masterclasses com bateristas nacionais e internacionais, ter acesso a dezenas de bancas de marcas de venda de material ou ligadas à formação e a um palco principal onde estarão todos os dias vários grandes nomes de bateristas do jazz ao metal.Este ano actuam Calvin Rodgers, Larnell Lewis, Jojo Mayer, Wiktoria Bialic, Daniele Chiantese, Tiago Joaninho, Marcelo Aires e II (da banda Sleep Token), este último, o motivo que terá levado à corrida aos bilhetes para sábado, devido ao sucesso que atingiu nos últimos tempos a formação da qual faz parte, que vai do metal à electrónica, mesclando muitos outros géneros musicais. Tocam ainda a banda Bateu Matou e a Orquestra Bamba Social. A programação completa pode ser consultada no site oficial do evento.Estes nomes juntam-se a outras dezenas que fizeram parte dos cartazes das edições anteriores. E consolidam o Porto Drum Show no evento que Hugo Danin queria que fosse quando o imaginou: “Comecei com a teimosia de querer fazer o maior evento [do género] em Portugal.”Dimensão mundialEsse objectivo, diz em conversa com o PÚBLICO, já foi atingido, até porque, afirma, não há grande concorrência. Porém, acredita ter chegado mais longe. “Neste momento, estamos com uma dimensão em que temos milhares de participantes e continuamos a ter o melhor cartaz possível a nível europeu e mundial”, afirma. O objectivo, assegura, é manter o nível nas edições futuras.Todos os anos o Porto Drum Show atribui o prémio de Personalidade do Ano, que, habitualmente, destaca “bateristas profissionais”. Hugo Danin diz que, este ano, a distinção vai para Francisco Pinto Balsemão, antigo primeiro-ministro e fundador da SIC e do Expresso, que morreu a 21 de Outubro. Hugo Danin explica porquê: “Aquele homem sempre foi baterista. Nunca foi profissional, mas tinha uma paixão muito grande por este instrumento. A bateria dele estava ao lado da secretária dele, em casa. O organizador e fundador do festival diz que a família de Pinto Balsemão emprestou a sua bateria para estar exposta durante os próximos dias do evento na Alfândega do Porto.










