Forma selvagem do vírus da poliomielite encontrada em águas residuais na Alemanha
A forma selvagem do vírus responsável pela poliomielite foi detectada em amostras de águas residuais na Alemanha, informou o principal organismo de saúde pública do país à Reuters esta quarta-feira, 12 de Novembro. A descoberta representa um revés para os esforços de erradicação da doença mortal.Os resultados surgem mais de 30 anos depois de os últimos casos de infecção pelo vírus selvagem da poliomielite terem sido registados em seres humanos na Alemanha e assinalam a primeira detecção do vírus selvagem através de amostragem ambiental no país desde que este tipo de monitorização de rotina começou, em 2021.A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse tratar-se da primeira detecção deste tipo na Europa desde 2010 e reforçou a mensagem de que nenhum país está imune à propagação da poliomielite, embora a ameaça da doença na Alemanha se mantenha muito baixa, em grande parte devido às elevadas taxas de vacinação no país.“Foi detectado vírus selvagem da poliomielite tipo 1 (WPV1) numa amostra de esgoto na Alemanha”, afirmou o Instituto Robert Koch numa declaração à Reuters, acrescentando que não foram reportadas infecções em pessoas.Baixo riscoO instituto acrescentou que o risco para a população geral da Alemanha, de qualquer forma de poliovírus, era muito baixo devido à cobertura generalizada da vacinação e ao facto de os casos de detecção do vírus em águas residuais serem apenas “isolados”.A poliomielite é uma infecção viral que pode ser fatal ou causar paralisia, mas prevenível através da vacinação. Existem duas formas de poliomielite a circular globalmente. A selvagem é mais rara e está presente apenas no Afeganistão e no Paquistão. A outra forma, derivada da vacina, circula em mais países e resulta de casos raros em que vírus vivos utilizados para imunização sofrem mutações e se espalham em comunidades com baixa cobertura vacinal.A análise de águas residuais para o vírus é uma técnica utilizada globalmente para acompanhar a propagação de ambas as formas de poliomielite.O Instituto Robert Koch reportou a detecção de poliovírus derivado da vacina em várias amostras de águas residuais na Alemanha desde o final de 2024. Vários outros países europeus, incluindo o Reino Unido, também reportaram detecções derivadas da vacina nos últimos anos.
No entanto, a OMS afirmou que as últimas detecções da forma selvagem do vírus na Europa tinham ocorrido na Rússia e no Tajiquistão em 2010, e na Suíça em 2007.A Europa foi declarada livre de poliomielite selvagem em 2002. O último caso de infecção por vírus selvagem adquirido na Alemanha foi reportado em 1990. Os casos importados mais recentes, provenientes do Egipto e da Índia, foram registados em 1992.A OMS disse ainda que a nova detecção de vírus selvagem na Alemanha parece estar associada à estirpe que circula no Afeganistão.Oliver Rosenbauer, porta-voz para a erradicação da poliomielite na OMS em Genebra, afirmou que a detecção mostra principalmente a eficácia da rede de vigilância da Alemanha. Alguns países não monitorizam activamente a poliomielite desta forma.“Detectaram o vírus sem ocorrência da doença. E, graças à elevada imunidade da população, até agora não ocorreram casos”, disse. “Enquanto todos esperamos que a erradicação global seja bem-sucedida – a única forma segura de proteger realmente todos os países da poliomielite – isto é o melhor que um país pode fazer.”
Desafios para erradicar a poliomieliteO mundo tenta eliminar a poliomielite há décadas. Os esforços de vacinação em massa reduziram os casos em 99% desde 1988, mas erradicar completamente a doença tem-se revelado um desafio.O esforço global enfrenta um corte orçamental de 30% no próximo ano, devido à retirada de ajuda internacional por parte de governos de países ocidentais.O aumento da desinformação e da hesitação relativamente à vacinação também está a pôr em causa décadas de progresso no combate a doenças infecciosas de forma geral, dizem os especialistas. No início desta semana, o Canadá perdeu o estatuto de eliminação do sarampo, após três décadas, na sequência de um surto que durou um ano.










