EUA pedem ao Líbano que ponha fim à influência do Irão e Hezbollah
“Acreditamos que a chave para que o povo libanês recupere o país é acabar com a influência nociva do Irão através do Hezbollah”, disse John Hurley, secretário adjunto do Tesouro para o Terrorismo aos jornalistas.
Hurley afirmou que a administração norte-americana mantém-se determinada a “cortar o financiamento iraniano” ao Hezbollah.
Além de Hurley, uma delegação liderada por Sebastian Gorka, o conselheiro da Casa Branca em matéria de luta contra o terrorismo, tem mantido encontros com líderes libaneses desde domingo.
Um responsável libanês, que pediu para não ser identificado à agência de notícias France-Presse (AFP), disse que a delegação norte-americana tinha transmitido uma mensagem “firme e clara” sobre a necessidade de combater ativamente as fontes de financiamento do Hezbollah.
O Tesouro norte-americano indicou que o Irão transferiu mais de mil milhões de dólares (cerca de 865 milhões de euros) para o Hezbollah no Líbano desde janeiro de 2025, principalmente através de casas de câmbio.
Hurley sublinhou que o Hezbollah é financiado por “muito dinheiro, muito ouro e algumas criptomoedas”.
Washington está a tentar secar as fontes de financiamento do Hezbollah, ao mesmo tempo que continua a exercer pressão sobre as autoridades libanesas para desarmar o movimento.
Israel voltou hoje a bombardear o Líbano em ataques que visaram “infraestruturas terroristas do Hezbollah no Vale do Bekaa e no sul” do país, disse o exército israelita.
O Ministério da Saúde libanês registou a morte de uma pessoa devido a outro bombardeamento em Bissariyeh, no sudoeste do Líbano.
O exército israelita afirmou que “o Hezbollah está a tentar reestruturar os ativos terroristas em todo o Líbano”, alegação que serve para justificar bombardeamentos, apesar do cessar-fogo entre o grupo xiita pró-iraniano e Israel em vigor há um ano.
Israel tem bombardeado repetidamente o Líbano, apesar do cessar-fogo de novembro de 2024, que visava pôr fim às hostilidades com o Hezbollah, e intensificou os ataques nos últimos dias, sob a justificação de impedir o grupo apoiado pelo Irão de recuperar capacidade militar.
Os ataques foram fortemente condenados pelas autoridades libanesas, que voltaram a pedir à comunidade internacional para que pressione Israel a cessar os ataques.
O Hezbollah integra o chamado eixo da resistência apoiado pelo Irão e envolveu-se em hostilidades militares com Israel, logo depois do início da guerra na Faixa de Gaza, em outubro de 2023, em apoio do aliado palestiniano Hamas.
Após quase um ano de troca de tiros ao longo da fronteira israelo-libanesa, Israel lançou uma forte campanha aérea no verão do ano passado, que decapitou a direção do movimento xiita, incluindo o líder histórico Hassan Nasrallah, e vários outros responsáveis da hierarquia política e militar do Hezbollah.
Desde o cessar-fogo, o Estado libanês tem procurado concentrar todo o armamento do país nas mãos das forças de segurança oficiais e deslocou efetivos para a zona da fronteira com Israel, tradicionalmente um reduto do Hezbollah e onde as tropas israelitas ainda mantêm posições militares.
A força da ONU no sul do Líbano (FINUL) vai terminar a missão em 2026, depois de quase cinco décadas no terreno.
TAB // EJ
Lusa/Fim










