EDP investe 12 mil milhões até 2028 e prepara expansão nos EUA
A EDP prepara-se para investir 12 mil milhões de euros até 2028, ano em que espera ter lucros mais de 60% superiores aos que regista agora e uma dívida líquida mais baixa. Mais de um terço deste investimento, calculado em termos brutos, destina-se aos Estados Unidos da América (EUA), mercado que, apesar das mais recentes políticas comerciais proteccionistas implementadas por Donald Trump, deverá aumentar o seu peso para as contas da empresa portuguesa.As metas constam do plano de negócios para o período de 2026 a 2028, divulgado pela EDP, nesta quinta-feira, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e apresentado a analistas e investidores numa conferência em Londres.No documento divulgado esta manhã, a EDP esclarece que o investimento de 12 mil milhões irá distribuir-se, sobretudo, pelo segmento de energias renováveis nos EUA e redes de electricidade na Península Ibérica. Em concreto, cerca de 35% deste montante irá destinar-se ao mercado norte-americano e outros 30% ao mercado ibérico, enquanto 10% serão investidos no Brasil e o restante noutros mercados. Por segmentos, 70% será destinado às energias renováveis, clientes e gestão de energia e 30% a redes de electricidade.O investimento nestes mercados será feito numa altura em que a empresa prevê um crescimento da construção de centros de dados, que levará a um aumento da procura por electricidade.”Para além do horizonte deste plano de negócios 2026-28, a EDP antecipa um aumento da procura de electricidade, impulsionado nomeadamente pela expansão de [centros de dados] nos EUA e na Europa, permitindo um crescimento acelerado das renováveis com base num pipeline diversificado e potencial melhoria de preços decorrente da recontratação da nossa frota operacional nos EUA, bem como oportunidades de hibridização, repotenciação eólica e sistemas de armazenamento de energia em baterias”, pode ler-se no comunicado enviado ao mercado. “Nas nossas redes eléctricas, as necessidades de investimento continuarão a ser significativas na próxima década, enquanto a nossa frota de geração convencional poderá capitalizar no valor crescente da sua flexibilidade”, acrescenta o documento.No início deste ano, aquando da apresentação de resultados relativos a 2024, o presidente executivo da EDP, Miguel Stilwell de Andrade, admitia existir “muita incerteza” no mercado norte-americano, mas dizia estar “cautelosamente optimista” e garantia que a procura de electricidade nos EUA e o PIB da maior economia do mundo continuariam a crescer nos próximos anos. Meses depois, e numa altura em que o impacto das tarifas impostas pelo Presidente norte-americano sobre a economia do próprio país começa a ser visível mas ainda moderado, a empresa mantém estas expectativas.Lucros de 1,3 mil milhões em 2028O documento apresentado nesta quinta-feira traz, ainda, as expectativas financeiras da EDP, que prevê um aumento dos lucros e dos dividendos e uma redução da dívida.Depois de ter reportado um resultado líquido de 801 milhões de euros em 2024, valor que representou uma queda de 16% em relação ao ano anterior, a empresa espera agora alcançar lucros de 1,2 mil milhões de euros numa primeira fase, aumentando-os até 1,3 mil milhões em 2028. Este crescimento será alcançado “melhorando o perfil de qualidade dos resultados com menor peso de ganhos de rotação de activos e maior peso de mercados regulados e com rating A, permitindo um aumento do dividendo mínimo para 0,21 euros por acção até 2028”. O dividendo relativo ao exercício de 2024 foi de 20 cêntimos por acção.Considerando apenas a EDP Renováveis, a subsidiária deverá ver duplicar os resultados durante este período, aumentando os lucros de 300 milhões em 2025 para 600 milhões em 2028.Já a dívida líquida do grupo, que tem vindo a aumentar e no final do ano passado era de 15,6 mil milhões de euros, deverá aumentar novamente este ano, fixando-se em 16 mil milhões de euros, antes de voltar a baixar para 15 mil milhões de euros em 2028, antecipa a EDP.










